C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


----- Nota Dez para os ‘Anos Zero’ (1ª parte) -----

  

Faltam apenas seis meses para o final da primeira década do século, perceberam? Lá se vão os ‘anos zero’ e com ele a segunda década da web – o tempo passa depressa, mas é bom colocar os anos em slow motion (e em perspectiva) para notar como a década foi de vital importância para a sobrevivência da web. Na virada para este século, amigos, a Rede quase foi para o beleléu – lembra do ‘estouro da bolha?’ - e muito do nosso futuro (agora presente) perigou não acontecer.

  

Sendo assim, é melhor esquecer estes tempos, então? Não acho; os ‘anos zero’ foram mais que isso, eles foram a demonstração de que uma nova mídia havia chegado para encurtar de vez a distância entre pessoas, empresas e instituições. A web sobreviveu e amadureceu, tornando-se a imagem mais próxima de ‘futuro fantástico’ com que visionários como Arthur C. Clarke e Isaac Asimov sonhavam.

  

Por que não recordar estes anos dando-lhes a devida importância, então? Cito, a seguir - e continuo a listá-los na próxima terça-feira -, os fatos mais marcantes da década na área da Comunicação Digital. Vale concordar, discordar e principalmente acrescentar, ok?

  

1. O estouro da bolha

  

Por pouco, quase foi tudo pelo ralo: no início de 2000 os investidores esperavam colher os frutos dos milhões e milhões de dólares que haviam investido ao longo de cinco anos em projetos web tão absurdos quanto caros, e ficou claro que eles haviam superestimado uma mídia que mal havia saído do berço. Era preciso dar tempo ao tempo. Embora fosse parte do ciclo natural de tentativas que cerca qualquer tecnologia revolucionária, essa fase varreria do mapa mais da metade das empresas web. Em dezembro de 2003, a Amazon fecharia, pela primeira vez, um ano no azul – como haviam previsto - e mostraria que a web, passada a tempestade, havia sobrevivido e valia a pena voltar a investir no futuro.

  

2. O surgimento dos blogs....

  

Colocar na mão do usuário o poder de publicar conteúdo por conta própria, em um estalar de dedos, foi como mágica. Daí por diante, o que jornais e revistas vendiam apenas como um ‘diário virtual de adolescente’ – dá até vontade de rir, hoje em dia, lembrar do preconceito – transformou-se em fonte de informação preciosa, de poder, de influência, de ameaça ao Jornalismo antes dele mesmo absorver a ferramenta. Hoje, grande parte dos blogs não tem cara de blogs de tão bons e sofisticados; em breve, todos se tornarão sites e o termo cairá em desuso.

  

3. ... e das redes sociais

 

Em 2005 surgia o conceito de Web 2.0 e com ele as redes sociais, a grande tendência que tomaria o mundo de assalto. Quem hoje não tem um perfil (nem que seja abandonado) no Orkut? Quem, justamente por causa do Orkut, não aprendeu a lidar com sites de relacionamento e compartilhamento de conteúdo como Delicious, MySpace, Flickr, LinkedIn ou Facebook? O caçula da turma, Twitter, não teria sido tão facilmente absorvido pela mídia e pelos usuários não fossem nossas experiências anteriores.

  

4. O vídeo

 

Falar em ‘convergência de mídias’ lá por 2001 parecia papo para boi dormir; a eterna promessa de uma web rápida e poderosa, em que poderíamos acessar texto, áudio, vídeo ao mesmo tempo parecia prestes a não se realizar. Mas a tecnologia (e a vontade das empresas em ganhar muito dinheiro) conspirou a nosso favor. Logo o YouTube tomaria a dianteira desta nova realidade e a imagem em movimento seria lugar comum na Rede - ‘como assim este site não tem vídeo?’. Melhor: todos nós passaríamos de espectadores a produtores de vídeo, o que mudaria a forma de produzir conteúdo audiovisual.

 

Na semana que vem: Música digital, ebooks e o jornal impresso na berlinda – e o que não deu certo ao longo da década. 

 



Escrito por Bruno Rodrigues às 16h47
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Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
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