C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


----- Sobre redes e estrelas -----

  CRIS ALMEIDA, blogueira da Totalmedia, de São Paulo, fez uma entrevista nota dez comigo [abaixo].

Fiquei orgulhoso - emocionado, até - com a forma com que ela encerra o texto:

'Antigamente, os profetas liam as estrelas. Bruno Rodrigues lê as redes'.

Bem, com essa ganhei o ano, né? ;-)

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Bruno Rodrigues, um pioneiro em webwriting

15 de Dezembro de 2008 @ 13:47 por Cristina Almeida

Na semana passada tive a oportunidade de conversar com Bruno Rodrigues, o pioneiro de webwriting no Brasil. Nosso bate-papo nos fez voltar ao ano de 1995, quando iniciou seu percurso como pesquisador das técnicas de linguagem para sites, época em que ele ainda se dividia entre as atividades de redator publicitário, jornalista e assessor de imprensa. A partir de então, Bruno passou a ser referência para os profissionais da área da informática, comunicação e marketing. Foi ele o primeiro a perceber que o usuário da internet era mais exigente do que se poderia esperar.

Nos primórdios da rede, ele e sua esposa começaram a se interessar sobre como os textos em sites deveriam ser escritos. Mas a curiosidade não se limitava às pesquisas em sedes estrangeiras, pois Bruno passou a participar de grupos de discussão sobre o tema. Nasciam ali as primeiras dicas sobre como escrever na web. Esse fato lhe pareceu singular, pois todos estavam apenas começando. Contudo, já pensavam as novas formas de linguagem.

O que era apenas um interesse pessoal, mais tarde lhe renderia frutos. A Petrobras procurava um especialista que pudesse gerenciar a reformulação do conteúdo de seu site. O nome de Bruno foi sugerido e ele foi contratado para o trabalho pelo período de 5-6 meses. Tornou-se um arquiteto da informação e até hoje presta serviços àquela empresa.

Com tanta experiência e pesquisas acumuladas, e sem conhecer algum profissional na mesma área, a idéia de escrever um livro foi conseqüência natural. Em 2000 publicou a primeira obra em língua portuguesa, e a terceira no mundo sobre redação e informação para web. Tornar-se colunista da revista WebWorld foi o passo seguinte (atualmente ele escreve para a Webinsider). O reconhecimento pelo conjunto de seu trabalho veio com a inserção do verbete webwriting, no famoso Dicionário de Comunicação de Carlos Rabaça e Gustavo Barbosa.

Jornalismo x Webwriting

Indaguei sobre a resistência das pessoas, especialmente os profissionais do jornalismo, em relação à nova técnica de comunicação na web. Bruno me explicou que "jornalismo é apuração; redação é a conseqüência da apuração". E acrescentou: "webwriting é gestão da informação e, assim, um experto em webwriting deverá ser capaz de disponibilizá-la entre as várias camadas de um site. Para um webwriter, o ponto principal é a persuasão e isso o que faz com que o usuário continue a navegação. A redação faz parte desse raciocínio".

O especialista esclareceu que embora a redação seja imprescindível para o jornalismo, webwriting é uma atividade mais natural para profissionais de letras ou biblioteconomia, porque eles sabem lidar com o texto, além de gerenciar a informação - que não é só o texto - mas inclui áudio, vídeo, ícones, flashes etc.. E concluiu, "o redator é amante da frase, do estilo; o redator digital é amante da palavra".

Um dos assuntos tratados em seu livro (Webwriting, Redação & Informação para a web, ed. Brasport) é a navegabilidade. Uma das principais funções do redator web é agir como guia de turismo dos sites. O trabalho do redator é sugerir, apontar, e até recomendar outros sites que possam expandir uma informação. Contudo, uma das diferenças entre as redes na língua inglesa e portuguesa, é que todo o tipo de informação pode ser acessada na primeira língua, como se não houvesse receio de compartilhar conhecimento. No Brasil, temas de importância ainda parecem ser de acesso restrito, não confiável.

Conteúdo como produto

Bruno ponderou que a tradição inglesa e francesa é expandir informação. Além disso, a seu ver, americanos são, por natureza, empreendedores. "Mídia digital é inovação e, assim, é preciso ter coragem para abrir caminhos nessa área. Daí a relutância do brasileiro em dar o primeiro passo nesse sentido. Em geral, as pessoas ficam esperando para ver o que vai acontecer".

Com tantas novas possibilidades, o usuário foi se tornando cada vez mais exigente. E, segundo o especialista, é ele o responsável pelas mudanças na web. "Quem estava por trás dos sites passou a ouvi-los através das áreas - Fale conosco. As sugestões, reclamações é que foram direcionando o que hoje visualizamos em termos de conteúdo na rede. Daí a razão por que grandes empresas como Ponto Frio, Americanas etc. passaram a comprar conteúdo para seus sites, pois precisavam de profissionais que estivessem familiarizados com esse universo".

Uma pergunta que sempre está no ar é se a web substituirá as mídias impressas. Bruno lembrou que neste momento há uma aura de crise, o que fez com que as pessoas passassem a pensar muito em custos. Isso explicaria o fato do fechamento de algumas revistas no seu formato convencional, mas que mantiveram seu conteúdo na web, alocando os profissionais de suas redações.

"Se compararmos os preços absurdos de uma gráfica e aqueles de manutenção de um site, entenderemos porque até revistas de endo-marketing deixaram de ser impressas e passaram a estar disponíveis nos sites intranet das empresas. Essas modificações representam que é preciso abrir o olho para as possibilidades que essa nova onda pode nos oferecer".

Apesar dessa realidade, Bruno nada contra a corrente dos céticos que vivem alardeando que mídias impressas estão com os dias contados e diz que há uma diferença básica entre o conteúdo online e o conteúdo impresso. "O primeiro deve ser fragmentado; o segundo, pode e deve ser mais aprofundado. Por isso, a tendência é que coexistam sempre". E acrescenta: "em 2008 o jornalismo online já experimentou de tudo: blogs, pod casts, microblogs etc.. A grande pergunta é, para onde vamos a partir de agora?".

Personal web publisher
O especialista finalizou nosso bate-papo profetizando o surgimento de um novo tipo de profissional, ao qual ele chamou de personal web publisher: "seria um profissional com anos de janela no jornalismo, portanto, acostumado a escolher conteúdos relevantes, mas também com capacidade para entender a web e saber o que determinado público precisa".

Antigamente, os profetas liam as estrelas. Bruno Rodrigues lê as redes.



Escrito por Bruno Rodrigues às 21h02
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Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
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