--- Quando ou não interagir ---
Não basta ser pai...
O 'G1' publicou neste final de semana uma matéria que tem a mim e ao meu filho, Breno - que completa 12 anos hoje! :-) -, como dois dos personagens centrais.
Escrita pela talentosíssima Alícia Uchôa, a matéria 'Blogs e sites viram ferramentas de talentos mirins' mostra como 'graças a internet, crianças expressam talentos em arte, música e moda'.
Questionado sobre o preconceito que ainda existe com os games, fiz questão de dizer que, para deixar a desconfiança de lado, 'o que os pais precisam é ter tempo com os filhos e participar'.
Espero que surta efeito - fiz a minha parte! ;-)
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(do 'Comunique-se')
Por que somos obrigado a interagir o tempo todo?
Se há conceitos capazes de dar nó na cabeça de qualquer um, estes são interatividade, interação e relacionamento.
Não é tudo a mesma coisa? Pelo contrário – são conceitos bem diferentes e que definem bastante o papel do usuário no mundo online.
No centro de todos estes conceitos está a idéia de contato. Interatividade cria a *possibilidade* de contato, mas sem intenção de continuidade. O caixa automático do seu banco é um bom exemplo. Você chega, digita a senha, retira o dinheiro, faz um depósito, checa o saldo e pronto – acabou ali.
Interação é quando a interatividade é usada para criar dependência – benéfica, na maioria das vezes. Quando você se loga ao site do banco, você está em seu espaço, e ele pode ser alterado, modificado, trabalhado. A idéia de contato se transforma em rotina.
E relacionamento? É quando interferimos na própria ferramenta; ao sugerir ao banco novos canais, por exemplo – atendimento online em tempo real, quem sabe? Neste caso, desejo saber quando e como o sistema será implantado. Se minha sugestão foi recusada, quero um retorno – às vezes um e-mail basta – explicando o porquê. Tudo isso é relacionamento. A idéia de contato evolui para comprometimento.
E você, com isso? Afinal, se interatividade é opcional, e relacionamento, idem, por que cada vez mais nos tentam empurrar interação?
Se quero armazenar fotos, é preciso virar íntimo do Flickr e sempre fico em dúvida sobre quem está se beneficiando mais, eu ou o site, que passa não só a ter minhas fotos, mas meus dados, também. Sobre Orkut, Facebook e outras redes sociais, nem se fala. Para muitos, a vida, agora, passa por ali. O destaque do momento nas redes é o microformato, uma maneira de publicar dados pessoais apenas uma vez, e eles serem transpostos para qualquer rede social, sem necessidade de incluir tudo de novo. Mais interação, impossível.
Se você acha que a questão pára por aí, está enganado. A próxima tecnologia do momento – ou da semana – é o BD-Live, desenvolvida pela Sony. A idéia é mudar (mais uma vez?) a experiência de ver um filme em casa. Antes de tudo, é claro, é preciso um *outro* aparelho de DVD, especial para BD-Live – óbvio, infelizmente. Mas, ontem mesmo, meu próximo projeto não deveria ser comprar um aparelho para os novíssimos discos Blu-Ray? Deixa pra lá.
Fato é que, com a tecnologia BD-Live, é possível assistir, da poltrona de casa, a um filme junto com espectadores do outro lado da cidade ou do planeta – basta, é claro, que no aparelho de DVD esteja passando o mesmo filme. Assim, é possível enviar, via TV, mensagens para os outros espectadores e, durante a sessão, bater um campeonato de trivia com direitos a prêmios – wallpapers, screensavers, etc. E, last but not least, enviar vídeos que se sobrepõem ao filme que está passando, com mensagens do tipo ‘cara, esta cena está o máximo!’.
Isto posto, vem a pergunta: dai-me paciência, será que até no conforto do lar, aconchegado na minha poltrona, quieto no meu canto, eu tenho que ser sociável o tempo todo, participar de mais uma experiência de interação?
Respire fundo e me responda: há um limite para tanta interação ou estamos presenciando algo irreversível?
Escrito por Bruno Rodrigues às 16h10
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