C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


----- Indiana Jones & Speed Racer -----

 

Para quem, no pré-vestibular, comentava com o amigos que gostava de Steven Spielberg e costumava ouvir um sonoro 'quuueeemm?' [tá, lá se vão quase 25 anos], nada como o tempo... Passei quase duas décadas aguardando por mais uma aventura do professor de arqueologia mais famoso do cinema, e lá vamos nós: daqui a três semanas, estarei com minha esposa e meu filho em uma sala mais que lotada [com certeza] na estréia de 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal'. A revista inglesa 'Empire' criou uma edição de luxo [foto tirada pelo Breno] para a ocasião: um envelope vazado e fechado por um cinto de papelão, que contém duas edições; a primeira, que dá destaque ao filme, e a segunda, um belíssimo volume em papel especial, com fotos antológicas e textos escritos pelos próprios criadores da série - de Spielberg a George Lucas, de John Williams [compositor da trilha] a Frank Marshall e Kathleen Kennedy [os produtores]. Para quem é fã, é de cair o queixo.  

Já a foto acima me lembra a infância: é o Mach 5, carro-símbolo do desenho dos anos 60 [que passou aqui nos 70], 'Speed Racer'. A versão 'carne-osso-e-aço' [e muitos efeitos especiais], assim como 'Indiana Jones', estréia este mês. Dei de cara com o carro no hall da Petrobras, no Rio, onde trabalho. Confesso que babei! Ah, sim: o outro carro da foto, verde-musgo, é o patrocinado pela Petrobras, que também está no filme. O design não chega aos pés do lendário Mach 5, mas - vá lá - dá para o gasto.... ;-)

Bem, o que tudo isso tem a ver com Webwriting? Nada, ué! :-)))))))



Escrito por Bruno Rodrigues às 21h02
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----- Duas boas entrevistas -----

     Duas entrevistas muito bem feitas, nas quais tive prazer de falar profundamente sobre informação para a mídia digital - a primeira, para a agência de notícias 'Newwws' (do mesmo grupo que publica a revista 'Webdesign'), e a segunda para o podcast do 'Jornalistas da Web', o Papo JOL (para este, basta seguir o link).

ENTREVISTA 'NEWWWS'

1 – Vamos começar com aquele assunto de que falávamos. Existe uma idéia, quase teoria, de que não se deve escrever muito na internet, que as pessoas não gostam de ler em frente à tela. Ao mesmo tempo, algumas pessoas defendem que a linguagem coloquial e a rapidez na atualização do conteúdo estão empobrecendo o texto na internet. O que você acha desses dois assuntos? É possível melhorar a qualidade diminuindo a quantidade?

Há muitos clichês em mídia digital, assim como em qualquer outro área - é normal que isso aconteça. O 'escrever pouco na internet' é um deles. O ambiente digital é constituído de 'camadas de informação'. A segunda camada, ou seja, o texto principal de uma informação, aquele que vem após o acesso a um destaque de primeira página, exige a concisão, mas nada tem a ver com 'não se deve escrever muito' na Rede. O que ocorre é que, nesta camada, o visitante procura os aspectos básicos da informação. Se serão cinco ou dez linhas, é apenas conseqüência. O detalhamento da informação virá nas páginas subseqüentes. Muito desta técnica, que é resultado
de testes, baseia-se na necessidade, também, de que o visitante acesse camadas mais profundas, assim como conheça outros temas abordados no site. Só assim ele poderá virar 'cliente', ou seja, se cadastrar, que é o pote no final do arco-íris da web.

Sobre a rapidez de atualização como empobrecimento da língua, primeiro é preciso deixar claro que informação web não é sinônimo de notícia online; há que separar a última das restantes. Enquanto o jornalismo na Rede é caracterizado pela rapidez, isso não acontece nos outros tantos perfis de sites da internet.

Ainda assim, se a questão são os erros resultantes desta ‘pressa’ em dar notícias, é uma característica do meio, que irá se refinar ao longo dos anos. Não acho que será assim para sempre.

Quanto ao empobrecimento da língua na web, me vem sempre à cabeça uma frase definitiva: “A língua portuguesa está empobrecida, rígida, estratificada, falta sentido e beleza a ela. É preciso lhe dar plasticidade, refundi-la no tacho, distendê-la, trabalhá-la, dar-lhe músculos”.

É de Guimarães Rosa, escrita em 1946.

2 – Você acha que o público em geral já aceita bem sites jornalísticos que utilizam linguagem própria de internet, tipo “vc”, “tb”, e não colocam acentos nas palavras? Você vê um paradoxo entre o sucesso desses sites e a simplicidade deles?

Não vejo paradoxo. Isso não é uma distorção, é um fato. E não temos distanciamento histórico o bastante para saber se, de alguma forma, isso veio para ficar. Criaram uma Santa Inquisição para o Português na web, mas, assim como na primeira, a História há de julgá-la corretamente. 

3 – Existem regras definidas em webwriting para grupos de palavras, como aquelas ligadas a tempo (ontem, hoje, amanhã), ou o uso delas varia de acordo com os manuais de redação dos jornais?

O webwriting se preocupa com a palavra como elemento de acesso à informação, e não como um elo de encadeamentos para constituir uma mensagem. Costumo dizer que o redator tradicional é amante da frase, enquanto o gestor da informação digital é amante da palavra. A primeira gera idéias; a segunda profundidade. Na web, esse é o foco da palavra: representação/persuasão/acesso à informação. 

4 – Enquanto discute-se muito a suposta necessidade de cadeiras específicas nas faculdades de jornalismo – web, rádio, TV etc. – vemos jornalistas recém-formados, e até mais experientes, que não têm noções básicas da Língua Portuguesa. Você não acha que as escolas deveriam estar mais atentas ao que vem antes da especialização, ou seja, aos conhecimentos que são comuns a todos os jornalistas?

Acho, mas é o cúmulo, em pleno século XXI, continuarmos, no Brasil, a associar Jornalismo a ‘saber Português’. Jornalismo não é saber escrever, esta visão empobrece
terrivelmente a atividade jornalística. Como você bem colocou, assim como outros conhecimentos básicos, o ‘saber a língua’ é essencial, isso não se discute. Mas este é o feijão-com-arroz da atividade, sem ele não se vai a lugar nenhum. Porém, o que faz do jornalista um profissional único é a capacidade de *apuração*, este sim o conhecimento e a técnica que se aprende e desenvolve, e aquele que tem poder de transformar a sociedade. Escrever? Por Deus, é registrar o que foi apurado! Não vamos valorizar em excesso o que aprendemos desde a escola, e que faculdade nenhuma é capaz de ensinar (só aprimorar). Se o jornalista continuar a focar apenas na redação, esta é uma atividade que não tem futuro, ainda mais com a web e seu jornalismo participativo e colaborativo.



Escrito por Bruno Rodrigues às 15h11
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Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
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