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----- As bibliotecas não morreram -----

Nunca fui um aficionado por bibliotecas - o que não as torna menos importantes em minha vida. Lembro-me bem, aos seis anos, entrando pela primeira vez na biblioteca do meu colégio, o Marista de Brasília. Não procurava livro específico algum; simplesmente estava curioso em conhecê-la. Lá dentro o que mais me chamou a atenção foi uma coleção de maquetes sobre a pré-história, e já saí feliz só por isso.

No início a adolescência, na primeira semana de estudos de inglês do Ibeu, já no Rio, não havia como não notar a biblioteca: ela era a primeira coisa que se via, ao entrar. Toda envidraçada, era um convite à curiosidade. O que mais me chamou a atenção, desde o início, foi a coleção de revistas 'Time' que fazia parte do acervo. No final dos anos 70, ler uma revista estrangeira toda semana era - uau! – um privilégio para qualquer um, ainda mais para um jovem estudante de inglês.

Fato é que, como dizem por aí, uma coisa puxa a outra. Afinal, é de se esperar que uma biblioteca atraia visitantes por conta de maquetes ou revistas estrangeiras? Aparentemente, não. Mas não teria sido essa a intenção das equipes de ambas as bibliotecas, ao criar 'iscas' para atrair alunos, futuros leitores? Esta semana, eu tive certeza que sim.

Segundo um dos institutos de pesquisa mais atuantes em comportamento web, o Pew Internet & American Life Project, os jovens americanos, a tal 'Geração Y', têm freqüentado cada vez mais as bibliotecas. O motivo? Em princípio, os livros, mas, tal qual acontecia comigo no Marista de Brasília ou no Ibeu, o que tem levado público a visitá-las é uma boa isca, desta vez a internet.

Como assim? Não há segredo. Para começar, já são muitas as bibliotecas americanas - assim como as brasileiras, e tantas outras - que colocam à disposição na web a lista de seu acervo, o que facilita tremendamente; se você tem certeza de que há o livro que procura em uma biblioteca, é meio caminho andado, não há risco de viagem perdida. Além disso, hoje as bibliotecas estão repletas de computadores com acesso à Rede - e, segundo o instituto Pew, este é o aspecto mais interessante da recente pesquisa.

O cenário que está fazendo toda a diferença é o seguinte: o adolescente chega a uma biblioteca, procura por um livro de Ray Bradbury, 'Fahrenheit 451', por exemplo. Ele começa a folhear o livro, adora, mas quer saber mais sobre o autor. Que tal a web? Sem sair da biblioteca, ele dá um pulinho no computador e fica sabendo mais - senão tudo - sobre o autor, e fica interessadíssimo, também, por exemplo, em 'Frutos Dourados do Sol', obra-prima menos conhecida de Bradbury. Touché: como ele está em uma biblioteca, é só pedir o livro. Feliz da vida, o jovem leva para casa ou lê ali mesmo ambas as obras, e o que um dia era desconhecimento vira um horizonte cheio de possibilidades - a grande magia do livro, afinal.

Como dá para notar, ainda há muito por vir, e muita coisa a descobrir. O mais fascinante, contudo, é observar que finalmente chegou o tempo em que a tecnologia da informação, mais especificamente a internet, é vista com naturalidade, sem provocar medo ou rejeição.

Por isso, torço para que pesquisas como a da Pew sejam feitas cada vez mais, e sempre. Lá se vão mais de dez anos de internet, e já amadurecemos bastante - mas é preciso que isso seja dito aos quatro ventos. Que 2008 seja o início desta nova etapa, então!



Escrito por Bruno Rodrigues às 15h34
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Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
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