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----- Não quero ver meus textos serem copiados -----
(do 'Comunique-se')
Ah, se fosse uma novidade da mídia digital... Fato é que, há décadas, os redatores de mídias variadas convivem com o fantasma da cópia.
Basta publicar aqui para encontrar reproduzido acolá, seja assinado ou anônimo. Nem sempre há má intenção; mas neste caso é folga, mesmo.
Na internet, convivemos desde o início com o buraco negro que é a web, com suas múltiplas possibilidades, por ser um ‘campo livre para a reprodução de idéias’.
Já vi textos meus publicados em colunas várias se multiplicarem mais que coelhos. Que, com prazer, matei com uma cajadada (jurídica) só.
A arma digital do momento, aquela que entrega a informação de mão beijada aos ‘infolarápios’ - em domicílio e embalagem para presente, diga-se de passagem –, recebe o nome de RSS, ferramenta disponível em qualquer bom site, portal ou blog.
Você assina a editoria que deseja e é avisado sempre que há atualização. Em suma: se publicarem algo novo, você fica sabendo, e na hora. Bonito na teoria e na prática (mesmo!), mas com um efeito colateral lamentável.
A grande questão é que o RSS facilita a vida de gente mais que suspeita. Afinal, se você é sinalizado quando o trabalho dos outros fica pronto, porque não aproveitar, não é mesmo?
Não pense que estamos falando de amadores, até porque são profissionais no pior sentido – e até por isso capazes de evoluir em suas técnicas de trabalho.
Veja só: o The New York Times publicou a matéria ‘Please Don't Steal This Web Content’, por Elinor Mills. Como implora o título, a idéia é que os internautas sejam gentis e parem de copiar conteúdo.
O que mais me impressionou na matéria, contudo, foi o nível de sofisticação destes 'gênios do mal': sabia que há como copiarem seu texto e, com um software muito simples, substituírem várias palavras por sinônimos, tudinho programado?
Para quê tudo isso? Simples. Se você for caçar no Google cópias não-autorizadas do seu texto, não vai ser tão fácil assim encontrá-lo. Além disso, igualzinho ao que era antes ele não será mais...
Como o seu (o meu, o nosso) trabalho suado corre o risco de escorrer entre os teclados e pousar nos blogs e sites dos outros, já há americano utilizando ‘detetives virtuais’ para fiscalizar por onde andam suas crias queridas. O site CopyScape possui uma lista de 200.000 clientes; o serviço é de graça, mas pode-se pagar por um servicinho mais ‘alto nível e indolor’. Na web brasileira, ainda não há nada semelhante - mas é sempre bom lembrar que, qualquer problema que apareça, há ótimos advogados especializados em Direito Digital a postos!
O analista de internet Om Malik, editor do blog GigaOM, afirma na matéria do nyt.com que não adianta tanta neurose – para ele, conteúdo é como a Hidra de Lerna (animal mitológico de sete cabeças, lembra?). Corta-se uma cabeça aqui, nasce outra acolá.
E você, acha perda de tempo a perseguição ao que é seu, ou pretende engajar-se como Hércules e sair atrás de cada um dos pedacinhos, quando for preciso?
Escrito por Bruno Rodrigues às 14h17
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