 |
|
|
----- Os cegos a e web - e o que você tem a ver com isso -----
(do 'Comunique-se')
Se você fosse deficiente visual, seria um esforço ler esta coluna. Em tempo: é bom dizer que os cegos acessam a web, sim, através de softwares que lêem as telas. Mas, para visitar o Comunique-se e tantos outros sites de boa estirpe, isso surtiria pouco efeito, pois é preciso, antes, adaptar o conteúdo para que o site possa ser 'lido' corretamente.
Não, ninguém precisa se sentir culpado - nem o Comunique-se, nem você, possível blogueiro, nem muito menos os profissionais de Comunicação que lêem esta coluna e acabam de perceber que nas empresas aonde trabalham são poucos os que conhecem o assunto. Infelizmente, a falta de Acessibilidade em sites é bem mais comum do que se imagina.
O tema Acessibilidade Digital não diz respeito só a deficientes. Quem não consegue ler textos na tela que estejam em corpo muito pequeno (e quem consegue?) torce para que os sites se tornem acessíveis. Entender é simples, complicado é partir para a prática.
Embora a população com algum tipo de deficiência no Brasil (visual ou não) aproxime-se perigosamente da casa dos 30 milhões, a Acessibilidade Digital é um peixe difícil de se vender - a exceção são os órgãos da administração pública, que estão tendo que adaptar seus sites a toque de caixa, por conta de uma lei baixada no final de 2004 e cujo prazo vem sendo prorrogado há dois anos.
Mas vá dizer para uma empresa privada que 1) o site não é acessível 2) precisa investir uma quantia razoável para adaptá-lo. A primeira questão já causa um incômodo, porque dá a sensação de que tudo foi executado de uma maneira errada - o que é um engano. Aplicar a Acessibilidade Digital é uma evolução, é dar um passo adiante na tarefa de atingir um público mais amplo.
Quanto ao investimento, é um fato. A não ser que você esteja começando um projeto web agora - neste caso, por Deus, contrate logo um consultor no assunto, não é caro -, é preciso abrir a carteira para adaptar o site aos 'padrões web', que atendem às questões da Acessibilidade e, de lambuja, ainda tornam mais 'leves' e 'limpos' os códigos que constroem as páginas.
Para quem está do lado de cá, ou seja, faz parte do grupo que trabalha para divulgar a Acessibilidade Digital no país - é o meu caso -, lidar com este assunto em pleno ano de 2007 é uma vantagem e tanto. Tudo por conta da Responsabilidade Social.
Graças a este compromisso (qual empresa quer ficar de fora deste 'conceito'? hoje em dia, nem dá mais), muitos têm aderido ao movimento dos sites acessíveis. A bem da verdade, qualquer motivo que justificasse a 'compra' do conceito da Acessibilidade Digital pelas empresas já seria uma maravilha. Sendo, então, Responsabilidade Social, que ainda abarca centenas de outras boas intenções além de tornar sites acessíveis, muitíssimo melhor - agradeço de joelhos!
Na semana passada, participei do evento de lançamento de um vídeo lindamente produzido sobre Acessibilidade Digital, parte de um esforço conjunto do qual faço parte e que une empresas como o Serpro, consultorias como a Sirius, universidades como a UniRio e profissionais como o Professor Bechara, todos liderados pelo grupo da Acesso Digital. A idéia é usar o vídeo para divulgar a Acessibilidade Digital em empresas, faculdades e principalmente através da internet. Nem precisa dizer que ele já está, há dias, no YouTube.
Se Acessibilidade Digital lhe parece um tema novo ou modismo, perceba que o assunto é apenas um desdobramento natural da Inclusão Digital, um tema que é popular no país há anos e pelo qual trabalham pessoas geniais como o carioca Rodrigo Baggio, do Comitê pela Democratização da Informática. Se tiver que explicar o assunto a um cliente ou ao chefe, comece por aí, então.
Para conhecer o trabalho da Acesso Digital, que produziu o vídeo, e assisti-lo em diversos formatos, visite o endereço http://acessodigital.net/video.html.
Escrito por Bruno Rodrigues às 15h35
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
----- Você acredita em tudo o que lê na internet? -----
Eu não acredito. Pelo simples motivo de que não sei se tudo o que leio é verdade. E por que desconfio tanto? Porque não sei de onde as informações vêm.
Por mais que eu tenha anos de trabalho e pesquisa com web, continuo a me comportar como um simples internauta. E compartilho com ele – e com você, portanto – este pé atrás.
Credibilidade sempre foi, e será, o Calcanhar de Aquiles da Rede. Institutos de pesquisa como o Jupiter e o Poynter nunca deixam de incluir este aspecto em seus formulários ao questionar os usuários sobre o que mais os incomoda na internet. Não conhecer o terreno em que se está pisando sempre é um dos primeiros itens da lista.
O que fazemos, sempre, seja na internet ou em qualquer outro ambiente de que temos receio, dúvida ou até mesmo medo, é procurar o conhecido. Na Rede, desde o início, os grandes grupos jornalísticos saíram na frente em credibilidade por ter um passado comprovado e uma bagagem de segurança junto aos leitores. BBC, Reuters, Le Monde, The New York Times, USA Today e The Times largaram antes por simples vantagem adquirida.
E em tempo de blogs e jornalismo cidadão?
Fato é que, após dois anos de hype, da mídia não parar de falar na participação do leitor na notícia, do surgimento dos superjornalistas e/ou blogueiros “comuns” que deixam os titãs da mídia de joelhos, acabou a especulação: os blogs já fazem parte do Jornalismo.
Então todos merecem a confiança dos leitores?
Não, mesmo. Fato é que um blogueiro, seja ou não de renome, não tem a mesma estrutura (explícita ou até política) para *checar* uma informação que um grupo jornalístico. Amigos probloggers (os que vivem disso) me dizem que desenvolveram uma ‘neurose sadia’ porque são mais próximos de uma fonte do que muitos jornalistas de big conglomerados de mídia, mas são muito mais vulneráveis a erros – embora se faça a correção mais rapidamente, é verdade.
Ainda assim, dá arrepios a possibilidade de pagar micos virtuais como o recente ‘Applegate’, em que um hoax (boato) publicado no blog de tecnologia Engadget de que a Apple atrasaria o lançamento de novos produtos – como o iPhone -, fez desabar as ações da empresa e quase gera um tragédia financeira. E olha que o Engadget era um blog acima de qualquer suspeita... Mas não tinha seguro contra erros.
Acreditar é uma questão de fé. E de risco. O que dá no mesmo, no final das contas.
Vamos dar um nó ainda mais complexo nesta questão de credibilidade na web? Um especialista em segurança da informação, na Finlândia, fez um teste no final do ano passado: colocou um anúncio na Rede oferecendo download gratuito de um vírus (isso mesmo) para quem não tivesse nenhum em seu computador. Um montante de 409 almas clicou. Deu na Reuters. O vírus era falso, mas - por Deus! – pouco importa ao ler e reler o resultado.
E você, acredita em tudo no que lê, vê e ouve na Rede?
Escrito por Bruno Rodrigues às 15h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
----- Alguns segredos do baú online -----
Desde o momento em que comecei a trabalhar com internet, aprendi uma regra básica: se quiser ter sucesso nesta área, divida com os outros o que sabe.
É o velho raciocínio, mais que comprovado, do “dividir para multiplicar”. Quem não age assim, está fora – quantos já vi ficarem na poeira do tempo...
Seja em palestras ou cursos, em empresas ou apenas respondendo e-mails, sempre fiz questão de passar adiante o que sei. É a simples idéia de fazer a roda girar, e movimentando o mercado você caminha junto.
A área de Comunicação sempre foi protecionista com o que sabe. Como a teoria é desprezada e a experiência, endeusada, valha-me Deus. Quem sabe muito, pouco divide, e ainda assim abre o baú a conta-gotas. Pobres recém-formados e estagiários – sobre estes, então, nem se fala.
Foi no cruzamento com a área de Informática que percebi que não era assim em todo mercado. Um analista de sistemas que não troque figurinhas com seus colegas está morto. É no constante ping-pong do dia-a-dia que os profissionais crescem.
Mas chega de papo, e vamos à ação.
Abaixo, há uma lista de livros, sites e listas de discussão que fazem parte da minha rotina. Para quem se acha “zerado” nos assuntos internet, jornalismo online, arquitetura da informação e tudo o que parece sânscrito, é a hora de perder o medo.
E não se esqueça: passe a lista adiante!
--- SITES
Sobre Webwriting
- Bruno Rodrigues [o colunista que vos escreve] (colunas 'Webwriting') na 'Webinsider', na revista impressa 'Webdesign', e no site 'Comunique-se' (coluna 'Conteúdo n@ Rede'). - Crawford Kilian (blog do autor de 'Writing for the Web') - crofsblogs.typepad.com. - Amy Gahran (blog da defensora da Persuasão no Webwriting) - blog.contentious.com. - Nick Usborne ('promessa' da área de Webwriting) - Jonathan Price ('mestre' das regras no Webwriting)
Sobre Jornalismo Online - 'Jornalistas da Web' - o principal do Brasil. - Instituto Poynter (site sobre Jornalismo em Geral e Pesquisas na área, incluindo Jornalismo Online).
Sobre Arquitetura da Informação
- Peter Morville (site do autor que é referência em Arquitetura da Informação e co-autor do livro 'Information Architecture for the World Wide Web') - semanticstudios.com. - Guilhermo Reis (o maior especialista no país sobre o assunto)
Sobre Usabilidade
- Fred Amstel (site de um dos maiores especialistas brasileiros no assunto) - www.usabilidoido.com.br. - Jakob Nielsen (site do 'papa' da Usabilidade) - www.useit.com.
Sobre intranet
- 'IntranetPortal' - do 'guru' da área, Ricardo Saldanha. - 'Intranet Journal' - um dos principais sites sobre o assunto na web.
Sobre Gestão do Conhecimento
- www.sbgc.org.br – site da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento, com vários artigos essenciais. - www.informal.com.br – site de uma das principais empresas do país em GC. - www.terraforum.com.br – site do principal profissional do país em Gestão do Conhecimento, respeitadíssimo no exterior, José Cláudio Terra.
Sites que contêm e/ou divulgam pesquisas sobre a web
- www.pewinternet.org - www.forrester.com/rb/research - www.jupiterresearch.com - www.poynter.org
--- LIVROS
Sobre Webwriting
- 'Webwriting - Redação & Informação para a Web', de Bruno Rodrigues [eu, de novo], da editora Brasport. - 'Writing for the Web', de Crawford Kilian, da editora Self-Counsel.
Sobre Jornalismo Online
- 'Jornalismo na internet', de J.B. Pinho, da editora Summus. - 'Jornalismo Digital', de Pollyana Ferrari, da editora Senac SP.
Sobre Arquitetura da Informação
- 'Information Architecture for the World Wide Web', de Louis Rosenfeld e Peter Morville, da editora O'Reilly. - 'Ambient Findability: What We Find Changes Who We Become', de Peter Morville, da editora O'Reilly. - 'Ergodesign e Arquitetura de Informação - Trabalhando com o usuário', de Luiz Agner, da editora Quartet.
Sobre Usabilidade
- 'Design para a Internet: projetando a experiência perfeita', de Felipe Memória, da editora Campus/Elsevier. - 'Projetando Websites com Usabilidade' e 'Projetando Websites', ambos de Jakob Nielsen, da editora Campus.
Sobre Gestão de Conteúdo
- 'Gestão de Conteúdo', de Eduardo Lapa, da editora Brasport.
Sobre Construção de Sites
- 'Como Gerenciar Sites Web de Sucesso', de Ashley Friedlein, da editora Campus.
Sobre Marketing Online
- 'Web Marketing e Comunicação Digital', de Paulo Kendzerski.
--- LISTAS
Sobre Webwriting e Jornalismo Online
- Jornalistas da Web.
Sobre Arquitetura da Informação
- Arquitetura da Informação em Português.
Escrito por Bruno Rodrigues às 15h34
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
----- Nosso Português com os dias contados -----
Reforma ortográfica não é novidade. Pelo menos duas delas, a de 1943 e a de 1971, obrigaram brasileiros de gerações distintas a reaprender o Português.
Em 1990 não só o Brasil achou que era hora de mexer mais uma vez com a língua de Camões (aliás, vale imaginar o que ele acharia disso tudo). Naquele ano, foi assinado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que nunca saiu do papel. Precisava ser ratificado pelos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – nada feito - e então a história travou.
Ainda assim, Portugal, Brasil e Cabo Verde defenderam a idéia de que apenas as assinaturas de três membros da Comunidade, entre os oito, pudessem valer para começar a unificação. Neste meio tempo, contudo, Portugal acabou dando para trás, e a questão foi deixada para ‘um dia, quem sabe...’.
Só no ano passado o recurso dos três tomou nova força, e São Tomé e Príncipe substituiu Portugal no time dos insistentes. Estava feito.
O plano é que, até o final do ano, o Acordo Ortográfico esteja valendo, e Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste tenham uma maneira única de escrever - e um Dicionário, apenas. Interessante.
Segue um panorama do que irá mudar:
- O trema deixa de existir. Convenhamos: nenhuma língua merece conviver com este acento que paira sobre nossos ‘u’s.
- As letras “k”, “w” e “y” serão incorporadas. Já não era sem tempo.
- Para os portugueses, somem o ‘p’ e o ‘h’ em algumas palavras. Saímos décadas na frente: para eles, chega de ‘húmido’ ou ‘óptimo’. Sabemos que é bem melhor assim.
- Adeus ao acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo, ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver" e seus derivados. Mesmo? ‘Veem’, ‘creem’, ‘deem’ substituem ‘vêem’, ‘crêem’, ’dêem’ e por aí vai.
- Fim do acento circunflexo em palavras terminadas em hiato "oo". Estranho, mas fácil de se acostumar: será ‘voo’ e não mais ‘vôo’.
Há outras mudanças, mas estas são as mais impactantes.
Curiosa, mesmo, foi a declaração de uma estudante ao jornal O Globo sobre o fim da trema e do acento em várias palavras, tomando como base a internet (sempre ela):
- Não vai fazer grande diferença, porque a gente já não usa mesmo.
Ops, não reproduza esta declaração em lugar algum! Aliás, estou pensando em deletar este trecho do texto. E se a maioria dos jovens dos países de língua portuguesa acha a mesma coisa, e a reforma trava mais uma vez?
E você, acha que o bom e velho Português merece mais um ‘lifting’, desta vez global? E a internet, teria culpa no cartório, ou é assim mesmo que a língua evolui?
Escrito por Bruno Rodrigues às 15h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 |
| [ ver mensagens anteriores ] |
|
 |


|
 |