C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


----- Evento sobre Acessibilidade -----

Para quem é do Rio, no dia 24 acontece no Senac da Cinelândia o lançamento de um vídeo importantíssimo para a conscientização geral sobre Acessibilidade Digital. Participarei da mesa-redonda ao final, junto com gente da melhor estirpe ;-).

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Acessibilidade na web: inclusão que gera negócios

"Um dia, no aniversário de uma amiga, comprei um livro e o enviei de presente sem sair de minha cadeira em frente ao micro. A amiga recebeu o presente em casa, telefonou agradecendo e dizendo que eu não precisava me preocupar e ter tanto trabalho em deslocar alguém para fazer o que fiz. Disse-lhe que eu tinha feito tudo sozinho e ela começou a chorar. Para não estragar a emoção dela com "todo o trabalho que tive", calei-me, sem contar que não necessitei me deslocar com minha bengala até a livraria e muito menos tinha ido ao correio. Mas, lá do fundo, minha emoção veio brotando, ao ter a sensação de que eu estava, graças à internet, me tornando um sujeito mais comum."

Esta história aconteceu em 1999, e é contada pelo Marco Antonio de Queirós, o MAQ, cego e especialista em acessibilidade na Web. Este conceito, que aos poucos começa a ser mais difundido, é a matéria-prima com que trabalha a equipe da Acesso Digital, um grupo de estudo e pesquisa formado por consultores com diversas experiências de mercado, formação e vida - MAQ entre eles. Juntos, trabalham para melhorar o acesso à Tecnologia da Informação, partindo da premissa de que, no Brasil, as empresas - salvo as exceções de praxe - não reconhecem o valor da acessibilidade nem da usabilidade. Em geral, priorizam os investimentos em campanhas publicitárias que façam o produto 'parecer' fácil, em vez de torná-lo realmente acessível.

Visão estratégica de mercado

A acessibilidade no desenvolvimento de sites é hoje uma ferramenta de mercado que aumenta potencialmente o público que pode chegar até o produto disponível, seja mercadoria ou informação. Não é uma concessão, um ato de boa vontade para com usuários com necessidades específicas: é uma visão estratégica. Imagine o site de uma loja ou de um banco construídos sem a acessibilidade adequada: uma pessoa com deficiência visual ou com qualquer tipo de dificuldade motora - potenciais clientes estarão automaticamente excluídos. E o que dizer dos sites de serviços públicos?

Provavelmente, os excluídos se sentirão, também, menos cidadãos. Para demonstrar as barreiras virtuais de sites criados sem a preocupação de tornar seu conteúdo acessível, e as possíveis soluções para os problemas, a equipe da Acesso Digital promove, no dia 24 de maio de 2007, o lançamento do vídeo "Acessibilidade web: custo ou benefício?", seguido de uma mesa-redonda com especialistas no assunto. Em debate, temas como legislação brasileira, diretrizes internacionais de Acessibilidade, tecnologias assistivas, dispositivos móveis, arquitetura de informação, e-commerce, mercado nacional e
oportunidades de negócios.

Horácio, Lêda Lucia e MAQ fazem a Acesso Digital - http://acessodigital.net -, que conta ainda com Bruno Torres -
http://brunotorres.net - e Frederick Van Amstel - www.usabilidoido.com - como colaboradores.

Acesso Digital:
Horácio Pastor Soares, especialista em design de interface e acessibilidade digital; consultor em projetos Web da Unisys;
professor universitário e editor do site http://internativa.com.br , onde escreve sobre criatividade e acessibilidade digital.

Lêda Lucia Spelta é psicóloga e analista de sistemas da Dataprev; foi uma das primeiras pessoas cegas a trabalhar com informática no Rio de Janeiro; coordenou a elaboração da Grafia Braille para a Informática; participa do Comitê de Ajudas Técnicas e da Comissão de Estudos CE-04/CB-40/ABNT, que elabora propostas de normas sobre "Acessibilidade para a Inclusão Digital".

MAQ - Marco Antonio de Queiroz, é consultor especialista em acessibilidade digital do Centro de Vida Independente Araci Nallin (CVI AN) e da "Click Maujor" ; dá cursos e palestras sobre linguagem HTML e acessibilidade Web para empresas no Brasil; desenvolveu a versão em língua portuguesa das Diretrizes Irlandesas de Acessibilidade na WEB; criador do site www.bengalalegal.com , escritor e deficiente visual total.

Serviço:
Lançamento do vídeo "Acessibilidade Web: custo ou benefício?" e mesa-redonda sobre o tema. (conheça o trailler do vídeo, que está disponível em http://www.youtube.com/watch?v=zNVrNo7MxsA , ou faça o download em http://acessodigital.net .

Data e hora: 24 de maio de 2007, às 19h.

Local: Auditório do SENAC RIO - Rua Santa Luzia, 735 - 7º andar - Centro - Rio de Janeiro - Brasil.

Dica: próximo ao Metrô Cinelândia, saída Av. Rio Branco.

Informação: o local tem acessibilidade para pessoas com deficiência.

Apoio: Seprorj, Sebrae e Senac.

Convidados da mesa-redonda:

Bruno Rodrigues - consultor de informação para mídia digital. Autor do livro "Webwriting Redação & Informação para Web".

Everaldo Bechara - coordenador acadêmico do Centro de treinamento Ilearn. Pioneiro no Brasil em ministrar cursos de Formação Web Standards.

Fábio Gameleira - gerente da Divisão de Processos de Software da Dataprev - Criador da primeira cartilha de Acessibilidade Web brasileira.

Maurício Samy Silva - Maujor - desenvolvedor do site "CSS para Web Design" - referência nacional em Padrões do W3C.

Miriam Simofusa - designer e consultora em acessibilidade do Serpro Brasília; facilitadora do Grupo de Trabalho Acessibilidade de Páginas na Web" (CE-04/CB-40/ABNT).

Sérgio Carvalho - Sócio-diretor e coordenador de experiência do usuário da Sirius Interativa.

Simone Bacellar Leal Ferreira - Professora do Departamento de Informática Aplicada da UNIRIO- Trabalhos em Acessibilidade, em especial "Panorama da Acessibilidade na Web Brasileira".

Escrito por Bruno Rodrigues às 11h13
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----- Games, essas baboseiras -----

Não, eu não acho games besteira. Mas muitos acham.

Fato é que existem pessoas, fatos ou situações que nascem para ser alvo. E os games foram escolhidos para Judas.

Infelizmente, games ainda são encarados como ameaça a crianças e adolescentes. Na infância, transformam a petizada em robôs; na adolescência, prendem em casa a rapaziada que devia estar na rua, vivendo.

Nunca gostei de games, mas muitos amigos adoram. Acompanhei os jogos para computadores surgirem, primeiro, via CD-ROM, há uns dez anos. Ninguém falava que eram prejudiciais à saúde ou ao convívio social. Havia o deslumbre com a tecnologia, um ‘ahhh!’ que saia da boca de gente de todas as idades.

Mas os games estavam lá, em meio físico, e não era toda hora que os pais abriam a carteira para comprar ou alugar os jogos que os filhos imploravam em ter no PC.

Aí veio a internet, e não era mais tão fácil assim entender a tecnologia. O admirável mundo novo era grande demais, amplo em excesso, desconhecido o bastante para todos os alarmes tocarem ao mesmo tempo. O que era aquela tal de web? Computador e CD-ROM eram uma coisa – mas o que era esse buraco negro que prometia sugar quem ousasse mergulhar de cabeça?

Pois o monstro cuspia novidades, e então surgiram os games para download.

Games à solta! À disposição, de graça, para baixar para os computadores, que logo passaram a ficar lotados de centenas de arquivos que faziam a alegria da garotada.

Os pais gelaram. De onde vinham estes games que choviam como ácido nos PCs dos filhos? Era fácil assim, baixava-se jogos
aos montes?

De repente, havia a ameaça de perder o controle. Se deixasse, os filhos viravam a noite. Era preciso impor limites. Que horror! Limite? A escola não dava conta de tudo, então? Os pais precisavam trabalhar, viajar, não havia tempo para ‘impor limites’. Talvez o psicólogo: isso, terapia. Ticava-se este item na agenda, e vamos em frente porque há trabalho a fazer.

E então vieram os games online. Desta vez, não havia arquivos a baixar, os jogos eram via web, mesmo.

A essa altura, o pânico era generalizado. Mas houve alívio quando tv, jornais e revistas escolheram os games para pato e pauta mensal, semanal ou até diária.

Games, inimigos do bom-senso, crias do monstro chamado web. Ah, sim, a web ajudava a pagar as contas, de longe, quando os pais estavam em viagem, ou naquele final de semana ‘especial’, sem os filhos. Havia a ‘web do bem’ e a ‘web do mal’, que precisava ser vigiada.

Mas o vento começou a mudar de direção, e o que era pretexto para matéria virou pauta de gaveta. Os mesmo psicólogos que
ajudavam os pais a extirpar a luz estroboscópica dos games da mente de seus filhos, agora começavam a ceder.

‘Games auxiliam no aprendizado de crianças e adolescentes’ deu n’O Globo há alguns dias. Segundo a Federação de Cientistas Americanos, os jogos ‘desenvolvem características como pensamento analítico, facilidade de trabalho em equipe, capacidade de resolver vários problemas ao mesmo tempo e de raciocínio rápido sob pressão’. Na mesma matéria, a professora Cristina Casadei, da prestigiada Escola do Futuro, da USP, assina embaixo.

Para o coordenador dos cursos de games da PUC-Rio, Esteban Clua, parte do preconceito com os jogos vem do fato de que 'temos uma geração de educadores que nunca jogaram e têm medo de jogar’. Pano rápido.

Medo. Seria ele de novo, o velho medo do desconhecido? Um pavor que quase joga para escanteio um método de aprendizado
revolucionário, um mercado de trabalho promissor e uma indústria capaz de gerar milhões para países emergentes?

Quando estou com medo, eu me controlo. Senão, não consigo, por exemplo, fazer duas coisas ao mesmo tempo. Imagino que tenha sido este mesmo medo, descontrolado, que tenha feito milhões de pais acreditar que uma criança não pudesse ler
livros e jogar no computador em um mesmíssimo dia-a-dia, ou que adolescentes não fossem capazes de cair na ‘pegação’ no
sexta à noite, jogar online no sábado e estudar no domingo.

Mas desconfio que haja mais nesta história. Que o problema seja a falta de envolvimento com o filho. Uma distância que
transforma web em buraco negro e games em ameaça mortal. Uma pena. Isso, porém, não é papo para esta coluna. É item de terapia – a terapia dos pais.

Escrito por Bruno Rodrigues às 15h16
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----- (Ainda sobre) Todos podem escrever -----

Mexer com a formação do profissional de Comunicação Social é meter a mão em um vespeiro. Se o caso é o diploma de Jornalismo, então, é como atear fogo ao vespeiro e ainda sair com queimadura de terceiro grau. Já vi muita gente que eu considerava calma e ponderada quase babar de ódio com a simples menção do assunto.

Como jornalistas, publicitários, relações públicas, sabemos que é preciso entender do riscado para trabalhar na área. Tenho 40 anos, quase 20 de profissão, e se nesse tempo já ficou claro para mim que não é qualquer um que pode executar
bem um trabalho na área de Comunicação, imagine para quem tem 50 anos de estrada... Não é fácil nem rápido atuar na área. É seleção natural, e a grande maioria sabe dissor. Em resumo, pelo menos para mim, a vivência já responde a questão.

Ou seja, não vou me estender, porque este aspecto da discussão é tão bobo e óbvio, que não vejo razão para gastar o teclado. Talvez, um dia, em uma mesa de chope, se faltar assunto.

Como trabalho com internet, ficou mais fácil enxergar o que realmente vale a pena investigar. Na mídia digital – como eu
descrevi na coluna anterior -, muito do que vale para tv, rádio, revista e jornal não se encaixa. Quem escreve para um
site de uma empresa, lidando com material institucional, precisa ser jornalista? Então ser jornalista é... escrever?
Mesmo? A atividade se diluiu tanto ao longo dos anos que terminou como escrita?

Há algumas colunas disse que escrever não é dom divino. As reações foram pesadas. Pelo menos dois leitores reagiram
indignados, e afirmaram que, sim, escrita não é para todos, é vocação, é inspiração, é mexer com as entranhas, é sofrer,
é...

(Peraí... Mas isso não é Literatura?)

Quem tem tempo para pensar em inspiração, quando o fechamento do jornal se aproxima perigosamente, e até mesmo na web, quando há vários textos para um hotsite que precisa ser entregue no dia seguinte? Há espaço para tanto ‘subjetivo’?

Em 2000, participou de um de meus cursos uma simpática profissional do Sindicato dos Jornalistas do Rio. Já na época, a questão do diploma na web veio à tona. Com toda a calma de quem observa as mudanças sem medo, ela foi clara:

- Jornalismo é apuração, não é redação, gente...

Isso! Então chegamos à questão que vale a pena perder tempo, gastar teclado e varar a madrugada tagarelando em uma mesa de chope.

Apuração é talento. Mas um talento que se aprende. Ou deveria, se as faculdades de Jornalismo centrassem seus esforços nesta direção.

Não coloquem a culpa nas universidades e nos professores, apenas. Levante a mão quem não quis ser jornalista porque
escrevia bem? O ruído começa do início.

(Intervalo: não preciso dizer aqui que é óbvio que o texto do redator precisa ser bom, preciso? Então está dito)

Não dá para argumentar pela escrita. Argumente pela apuração. Ela é a alma do jornalismo, seja na web ou na mídia impressa, no rádio ou na tv. A apuração é digna, ela se aprende, se desenvolve. É ela que coloca a atividade jornalística no patamar de uma Medicina, de uma Engenharia.

A sociedade não se move sem a apuração – ou andaria às cegas, sem ela. Batalhemos por Faculdades de Apuração, então!

A redação foi o meio que a apuração encontrou para a notícia chegar ao leitor. E só. O resto diz respeito a ego, nossa maior armadilha...

Escrito por Bruno Rodrigues às 15h13
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Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
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