----- A palavra, coadjuvante na web -----
Mais um texto de minha coluna no 'Comunique-se'!
Em tempo: este ano, já fui a Belo Horizonte quatro vezes, sendo as duas últimas este mês, para ministrar treinamentos para a equipe intranet da Gerdau Açominas. Estou *apaixonado* pela cidade! Será que substituirá Brasília como a cidade do meu coração? Veremos... ;-)
*A PALAVRA, COADJUVANTE NA WEB*
Texto, texto, texto. A Web é o paraíso da palavra. É nossa enciclopédia, biblioteca, revista semanal. Algum problema? Pelo contrário - a Web surgiu desta maneira, e muito de sua força ainda reside na informação como palavra.
Eu disse ainda. Busque uma definição para Web e encontrará várias, mas todas giram em torno de um ponto: é nela que reside o potencial da imagem na internet; é ela a interface gráfica da Rede.
Não há como escapar. A Web é cruel com quem aposta na força da força solitária da palavra - não há site que sobreviva sem um impacto visual, todos sabem. Em nenhuma outra mídia o clichê 'a imagem vale mais que mil palavras' foi tão verdadeiro. E olhe que estou falando apenas em layout, em ilustração, em fotografia - ainda não cheguei ao vídeo.
Se a imagem é capaz de levar vários recados em um só pacote, o vídeo é a maior concentração de informações por pixel quadrado. O vídeo dá conta do recado, e com uma capacidade de persuasão que a palavra não alcança.
Não adianta espernear, porque é um caminho sem volta. Na Web, a palavra está fadada a desempenhar o papel de coadjuvante da informação. Uma coadjuvante de luxo, mas, ainda assim, coadjuvante.
Eu amo a palavra. Sou, antes de tudo, um redator. Mas aprendi, ao longo de todo este tempo de trabalho com Web, que a palavra precisa se enamorar da imagem. Muito mais do que já acontece na mídia impressa.
Falou-se muito, nos últimos anos, em convergência de mídias. Que a Web iria integrar texto, imagem, áudio e vídeo. Como a banda larga ainda era insípida no mundo inteiro e a história não caminhava, a tal convergência perigou não acontecer. Mas, de três anos para cá, a realidade mudou.
O You Tube, site gratuito com vídeos postados por qualquer um que se disponha a dividir o que tem, é apenas a ponta do iceberg. Demonstra que o interesse do internauta mudou, que ele evoluiu na forma de consumir informação na Web. E que, com a explosão da banda larga, ele agora pode - e quer - mais.
Como recuperar a palavra em um ambiente *realmente* multimídia como será a Web daqui por diante? O redator irá sobreviver? Na dúvida, como profissionais de Comunicação, precisamos entender que nossa matéria-prima é a Informação, seja lá qual for o seu formato.
Você sabe que não é preciso entender de vídeo para trabalhar um uma revista. Mas, na Web, limitar a experiência - e interesse - à palavra pode ser arriscado. O perigo não é individual, mas diz respeito à classe como um todo. O novo profissional de Comunicação, aquele está saindo das universidades, precisa ter noção de que o mercado de mídia digital espera muito mais dele.
Para os que já estão no mercado, temos uma vantagem, porque já experimentamos a Informação em um formato ou mais. Basta não criar resistência e, antes de tudo, ajudar na conscientização dos que estão chegando.
Não perca tempo imaginando se a palavra precisa dar uma volta por cima ou se a Web irá virar o crepúsculo do texto, até porque não é verdade. Por muito tempo ela dividirá as atenções com o vídeo, e é bastante provável que nunca venha a existir uma Web sem informação textual.
Enfim, invista seu tempo entendendo como funciona esta tal convergência de mídias e você estará acrescentando muito mais ao mercado!
Escrito por Bruno Rodrigues às 21h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|