C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


----- O Brasil sem Orkut -----

Por falar em minha coluna no 'Comunique-se'  (ver abaixo), começo a reproduzir os textos aqui hoje, na Cebola que vos fala. A que segue é a primeiríssima, de início de setembro!

*COMO SERIA O BRASIL SEM O ORKUT?*

Não tenho perfil no Orkut. Procure por Bruno Rodrigues e você achará vários - nenhum deles sou eu. Em diversas ocasiões quis encontrar um motivo para criá-lo, mas a dúvida permanece.

Embora não faça parte do Orkut, estou sempre por lá. Ossos do ofício. Como minha praia é o estudo da informação para a mídia digital, o Orkut é uma de minhas prioridades.

Ele não pode ser desprezado: no Brasil, o Orkut tem mais de 15 milhões de usuários. Se no resto do mundo ele não pegou, por aqui é um fenômeno.

Este é o ponto: enxergamos no Orkut o que os outros não vêem, ou o que vemos de tão especial já existe em outros sites há tempos, e de maneira mais ampla?

Seja o que for, os brasileiros transformaram o que poderia ser um Boeing de última geração em um aviãozinho de papel.

Cheque o que fizemos com o Orkut. Não estou me referindo aos adolescentes: deixe-os em paz. Se eles criam perfis falsos, publicam fotos de baladas ou criam comunidades baseadas em 'amo fulano' ou 'odeio sicrano', eles podem: é da idade.

A questão, para variar, está com os adultos, que participam do Orkut de modo quase constrangedor, seja para procurar colegas da época do colégio, para serem lembrados do aniversário de amigos de forma automática ou porque é assim que as empresas de RH 'modernas' selecionam pessoal para as grandes empresas - mesmo?

Claro que estas ações também acontecem fora do Orkut. Elas existem em várias comunidades de relacionamento e através de outras ferramentas da internet, como o bom e velho e-mail. Mas o Orkut acaba sendo um resumo significativo destas ações de relacionamento.

Mesmo não estando no Orkut, é claro que acabo me divirtindo com alguns perfis que leio, me emociono com outros e por vezes me facilitaria muito a vida se eu pudesse postar parabéns para alguns amigos não tão próximos. Mas acho que os brasileiros poderiam muito mais com o Orkut se fossem além da 'página 10'.

E a página seguinte começa com as comunidades. Até agora, infelizmente, fazemos delas um prolongamento do perfil, como novas categorias de dados pessoais. Sei que José da Silva, além de morar em Porto Alegre e ter 33 anos, é pesquisador de combustíveis alternativos e membro da Renovação Carismática. Mas pára por aí.

Agora, imagine se José da Silva e as outras 15 milhões de pessoas participassem ativamente de uma comunidade, ao menos.

Como todas as outras, as comunidades do Orkut existem para troca, e toda troca gera conhecimento, que leva a uma ação. Não peço que as comunidades do Orkut virem um fórum de transformação social, mas faria uma enorme diferença se não as encarássemos só como ferramenta de identidade pessoal. Seríamos profissionais mais bem informados, cidadãos mais conscientes e, talvez, até pessoas melhores - apenas utilizando o real potencial do Orkut.

Na semana passada, a Justiça brasileira, em reação à atitude do Orkut Brasil, que alegou não ter condições de entregar nomes de seus usuários e assim colaborar na caça aos racistas e pedófilos, ameaçou multar e punir o Google que, por conta, não descarta fechar o Orkut aos usuários nacionais, caso haja insistência.

Para o Google, que não ganha um centavo com a comunidade, pensar em perder um dinheiro que não se ganhou pode ser a gota dágua. A porta na cara dos brasileiros faria sentido.

Como seria o Brasil sem o Orkut? Perderíamos tanto assim? No âmbito pessoal, bastante. Mas, ao pensar no que poderíamos ter ganho com as comunidades, não perderíamos nada. Afinal, mal começamos.

Não se sabe o rumo que o affair com a Justiça irá tomar, mas, ainda que fique tudo na mesma, seria possível o Brasil do Orkut amadurecer com o tempo?

Se o Google criar um objetivo palpável para o 'fenômeno' Orkut, digo que sim. Mas isso só acontecerá se ele incluir lucro. Se vierem com subjetividades, esqueça, porque perdemos.

Caso um modelo de negócios vingue, estará nas mãos do Orkut o processo de catequese, a missão de mostrar aos brasileiros que há muito mais a fazer na comunidade. E isso, só eles podem fazer. Nenhum usuário chegará a essa conclusão sozinho, como não aconteceu até agora.

O que me faz, hoje, repensar se haveria um bom motivo para estar no Orkut é o convite que recebi, há tempos, para participar de uma comunidade sobre webwriting. Talvez seja a hora de deixar a resistência de lado, aderir, e aguardar pelo futuro próximo. E torcer para que não seja tarde demais...

 



Escrito por Bruno Rodrigues às 20h01
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 



Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital da Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
Você também me encontra em:
  'Webinsider'
  'Comunique-se'
  Revista 'WebDesign' - nas bancas
  'Jornalistas da Web'
Histórico
  Ver mensagens anteriores