C e b o l @ - Todas as camadas do webwriting


Escrito por Bruno Rodrigues às 15h22
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Jornalismo: redação ou apuração? -----

E vamos que vamos: no próximo dia 17/06, inicio mais uma edição de meu curso 'Webwriting & Arquitetura da Informação' no Rio de Janeiro. Para mais informações, basta ligar para 21023200 (ramal 4) ou enviar um e-mail para extensao@facha.edu.br.


Enquanto isso, reproduzo aqui um texto recente de minha coluna no 'Comunique-se' que deu o que falar... Ao terminar de ler, não deixe de dar sua opinião!



JORNALISMO É REDAÇÃO OU APURAÇÃO?


A questão é antiga, e separa o joio do trigo, quem vive do passado de quem enxerga o futuro: Jornalismo, afinal, é redação ou apuração?


Sempre esbarro nesta questão – e olhe que minha área é a mídia digital! Mas há tempos já deu para perceber que a eterna questão das redações esfumaçadas sobrevive e chegou à era do Jornalismo Online. Infelizmente.


Papo vai, papo vem, em toda entrevista que fazem comigo – como a do novo portal Newwws.com.br (vale uma lida depois) – citam o Jornalismo como sinônimo de redação. Eu respiro fundo e corrijo a observação.


Para mim, é de uma profunda pobreza de espírito associar – diretamente, é claro – a atividade jornalística à redação. E é perigoso, também.


Não é todo mundo que escreve (e é publicado) que é jornalista. Alguma novidade até aí? Nenhuma. Mas, bem sabemos, esta é uma questão tão batida quanto mal-resolvida. E, portanto, tremendamente escorregadia.


Não há um redator empresarial, por exemplo, que não tenha passado pela clássica situação em que um gerente qualquer diz à queima-roupa que ‘se tivesse tempo, escreveria uma matéria’. Engolimos essa e outras mais, e vamos em frente.


Se ele poderia escrever? É claro que sim. Digo escrever, redigir. Mas pára por aí. Mesmo assim, poderia até sair um texto razoável. É exceção? Ah, sim, claro que é – mas longe de ser impossível um gerente produzir um bom texto.


Muito cuidado com o que valorizamos em nossas atividades! Um jornalista não é jornalista porque ele tem um bom texto.


Como eu disse à Newwws:


“(...) É o cúmulo, em pleno século 21, continuarmos a associar Jornalismo a “saber português”. (...) Assim como outros conhecimentos básicos, o “saber a língua” é essencial. Mas este é o feijão-com-arroz da atividade. O que faz do jornalista um profissional único é a capacidade de apuração; este, sim, é o conhecimento e a técnica que se aprende e desenvolve, e aquele que tem poder de transformar a sociedade. Se o jornalista continuar a focar apenas na redação, esta será uma atividade sem futuro (...)”.


Complementando que eu disse, Jornalismo é páreo, sim, para Medicina ou Direito, desde que o profissional assuma que o principal em sua profissão é o talento e a técnica da Apuração (coloquemos em letra maiúscula, mesmo, ela merece).


Não acredito na sobrevivência do Jornalismo como ‘fabriqunha de textos’. O texto jornalístico é a conseqüência, o pôr no papel o que foi apurado. E ponto final. O que faz do jornalista um profissional único e fundamental é a apuração. Estilo? Talento? Claro que são importantes, amigos, mas não vamos cair na armadilha do olhar para o umbigo, sempre.


Esta mesma visão eu tenho do Jornalismo Online que, para mim, é um conjunto de novas ferramentas para se apurar e divulgar uma informação. Definitivamente, Jornalismo Online não é sinônimo de Webwriting, minha área de pesquisa e dedicação diária. Texto deste lado, apuração do outro, seja na mídia impressa ou na digital. São como pai e filho, sempre respeitando a hierarquia, cada um sabendo o seu lugar.


Às vezes, penso que falta ao jornalista pensar em quão especial ele é. Seria uma questão de ego ou de bolso?



Escrito por Bruno Rodrigues às 15h19
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Indiana Jones & Speed Racer -----

 

Para quem, no pré-vestibular, comentava com o amigos que gostava de Steven Spielberg e costumava ouvir um sonoro 'quuueeemm?' [tá, lá se vão quase 25 anos], nada como o tempo... Passei quase duas décadas aguardando por mais uma aventura do professor de arqueologia mais famoso do cinema, e lá vamos nós: daqui a três semanas, estarei com minha esposa e meu filho em uma sala mais que lotada [com certeza] na estréia de 'Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal'. A revista inglesa 'Empire' criou uma edição de luxo [foto tirada pelo Breno] para a ocasião: um envelope vazado e fechado por um cinto de papelão, que contém duas edições; a primeira, que dá destaque ao filme, e a segunda, um belíssimo volume em papel especial, com fotos antológicas e textos escritos pelos próprios criadores da série - de Spielberg a George Lucas, de John Williams [compositor da trilha] a Frank Marshall e Kathleen Kennedy [os produtores]. Para quem é fã, é de cair o queixo.  

Já a foto acima me lembra a infância: é o Mach 5, carro-símbolo do desenho dos anos 60 [que passou aqui nos 70], 'Speed Racer'. A versão 'carne-osso-e-aço' [e muitos efeitos especiais], assim como 'Indiana Jones', estréia este mês. Dei de cara com o carro no hall da Petrobras, no Rio, onde trabalho. Confesso que babei! Ah, sim: o outro carro da foto, verde-musgo, é o patrocinado pela Petrobras, que também está no filme. O design não chega aos pés do lendário Mach 5, mas - vá lá - dá para o gasto.... ;-)

Bem, o que tudo isso tem a ver com Webwriting? Nada, ué! :-)))))))



Escrito por Bruno Rodrigues às 21h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Duas boas entrevistas -----

     Duas entrevistas muito bem feitas, nas quais tive prazer de falar profundamente sobre informação para a mídia digital - a primeira, para a agência de notícias 'Newwws' (do mesmo grupo que publica a revista 'Webdesign'), e a segunda para o podcast do 'Jornalistas da Web', o Papo JOL (para este, basta seguir o link).

ENTREVISTA 'NEWWWS'

1 – Vamos começar com aquele assunto de que falávamos. Existe uma idéia, quase teoria, de que não se deve escrever muito na internet, que as pessoas não gostam de ler em frente à tela. Ao mesmo tempo, algumas pessoas defendem que a linguagem coloquial e a rapidez na atualização do conteúdo estão empobrecendo o texto na internet. O que você acha desses dois assuntos? É possível melhorar a qualidade diminuindo a quantidade?

Há muitos clichês em mídia digital, assim como em qualquer outro área - é normal que isso aconteça. O 'escrever pouco na internet' é um deles. O ambiente digital é constituído de 'camadas de informação'. A segunda camada, ou seja, o texto principal de uma informação, aquele que vem após o acesso a um destaque de primeira página, exige a concisão, mas nada tem a ver com 'não se deve escrever muito' na Rede. O que ocorre é que, nesta camada, o visitante procura os aspectos básicos da informação. Se serão cinco ou dez linhas, é apenas conseqüência. O detalhamento da informação virá nas páginas subseqüentes. Muito desta técnica, que é resultado
de testes, baseia-se na necessidade, também, de que o visitante acesse camadas mais profundas, assim como conheça outros temas abordados no site. Só assim ele poderá virar 'cliente', ou seja, se cadastrar, que é o pote no final do arco-íris da web.

Sobre a rapidez de atualização como empobrecimento da língua, primeiro é preciso deixar claro que informação web não é sinônimo de notícia online; há que separar a última das restantes. Enquanto o jornalismo na Rede é caracterizado pela rapidez, isso não acontece nos outros tantos perfis de sites da internet.

Ainda assim, se a questão são os erros resultantes desta ‘pressa’ em dar notícias, é uma característica do meio, que irá se refinar ao longo dos anos. Não acho que será assim para sempre.

Quanto ao empobrecimento da língua na web, me vem sempre à cabeça uma frase definitiva: “A língua portuguesa está empobrecida, rígida, estratificada, falta sentido e beleza a ela. É preciso lhe dar plasticidade, refundi-la no tacho, distendê-la, trabalhá-la, dar-lhe músculos”.

É de Guimarães Rosa, escrita em 1946.

2 – Você acha que o público em geral já aceita bem sites jornalísticos que utilizam linguagem própria de internet, tipo “vc”, “tb”, e não colocam acentos nas palavras? Você vê um paradoxo entre o sucesso desses sites e a simplicidade deles?

Não vejo paradoxo. Isso não é uma distorção, é um fato. E não temos distanciamento histórico o bastante para saber se, de alguma forma, isso veio para ficar. Criaram uma Santa Inquisição para o Português na web, mas, assim como na primeira, a História há de julgá-la corretamente. 

3 – Existem regras definidas em webwriting para grupos de palavras, como aquelas ligadas a tempo (ontem, hoje, amanhã), ou o uso delas varia de acordo com os manuais de redação dos jornais?

O webwriting se preocupa com a palavra como elemento de acesso à informação, e não como um elo de encadeamentos para constituir uma mensagem. Costumo dizer que o redator tradicional é amante da frase, enquanto o gestor da informação digital é amante da palavra. A primeira gera idéias; a segunda profundidade. Na web, esse é o foco da palavra: representação/persuasão/acesso à informação. 

4 – Enquanto discute-se muito a suposta necessidade de cadeiras específicas nas faculdades de jornalismo – web, rádio, TV etc. – vemos jornalistas recém-formados, e até mais experientes, que não têm noções básicas da Língua Portuguesa. Você não acha que as escolas deveriam estar mais atentas ao que vem antes da especialização, ou seja, aos conhecimentos que são comuns a todos os jornalistas?

Acho, mas é o cúmulo, em pleno século XXI, continuarmos, no Brasil, a associar Jornalismo a ‘saber Português’. Jornalismo não é saber escrever, esta visão empobrece
terrivelmente a atividade jornalística. Como você bem colocou, assim como outros conhecimentos básicos, o ‘saber a língua’ é essencial, isso não se discute. Mas este é o feijão-com-arroz da atividade, sem ele não se vai a lugar nenhum. Porém, o que faz do jornalista um profissional único é a capacidade de *apuração*, este sim o conhecimento e a técnica que se aprende e desenvolve, e aquele que tem poder de transformar a sociedade. Escrever? Por Deus, é registrar o que foi apurado! Não vamos valorizar em excesso o que aprendemos desde a escola, e que faculdade nenhuma é capaz de ensinar (só aprimorar). Se o jornalista continuar a focar apenas na redação, esta é uma atividade que não tem futuro, ainda mais com a web e seu jornalismo participativo e colaborativo.



Escrito por Bruno Rodrigues às 15h11
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Sobre Jornalismo Online: entrevista & texto -----

  Para os leitores do último post deste blog não ficarem no vácuo: seguem a entrevista que a talentosíssima Bia Mansur fez comigo para o site 'Jornalistas da Web', por conta do evento 'O Mercado e o Ensino de Jornalismo Online' - promovido no final de fevereiro no Rio de Janeiro -, e o texto publicado no 'Comunique-se' naquela mesma semana, em que faço quase um desabafo sobre o que acho do mercado de jornalismo online versão 2008.

Leiam e vejam se concordam: alguém tem que fazer o trabalho sujo de vez em quando, certo? ;-)

Com a palavra, Bia Mansur: 

1) O que se espera do novo profissional da comunicação?

Curiosidade por todas as mídias, as tradicionais e a digital, e uma grande vocação para lidar com informação, seja em sua elaboração ou veiculação. Além disso, é preciso envolvimento: um profissional de Comunicação que não está 'imerso' na evolução das mídias não tem futuro.

2) Mas quem é este novo profissional da comunicação na realidade?

É quem pensa o contéudo como algo único, mas multifacetado. Por isso, sua missão é adaptar a informação às diferentes plataformas onde ela será veiculada. Atenção: chamo de conteúdo um texto institucional , um anúncio para tv ou uma campanha de marketing da web. É preciso entender que as plataformas se modificam e se sucedem - a missão do profissional de Comunicação, seja ele publicitário, jornalista ou de mídia digital, é enxergar o potencial de cada informação nestes ambientes, não apenas virar um expert no aspecto tecnológico de cada um deles. As tecnologias passam, a visão apurada é que fica.

3) Qual é o maior desafio para este profissional na era digital?

Entender que ninguém é pau para toda obra. Quando me formei, há mais de 20 anos, uma das grandes 'vantagens' vendidas sobre o profissional de Comunicação é que ele poderia circular facilmente em todos os ambientes de seu mercado de trabalho. Isso nunca foi exatamente verdade - seria tão fácil assim, qualquer um fazer o que um comunicólogo faz, seja qual for sua área? Essa visão desvaloriza nossa profissão. Ninguém faz tudo. É preciso especialização. O generalista me incomoda - é sempre aquele que diz que sabe de tudo um pouco, mas não sabe nada profundamente. Na mídia digital - ainda bem – valoriza-se cada vez mais o especialista. Isso é ótimo! A questão maior, contudo, é salarial. Se não se valoriza o nicho em que trabalha, o mercado tende a pagar pouco - é simples assim, as empresas são um espelho dos profissionais. Percebo que quem trabalha nesta área precisa se valorizar mais, fugir do 'sou pau para toda obra'.

4) No Brasil, são poucas as universidades que buscam diferenciar as grades e oferecer um programa específico para quem deseja se especializar em jornalismo online. O que se pode observar são projetos isolados, de professores conhecedores do assunto e alunos ávidos por conhecimento. Exemplo disso é o Gjol da UFBA. Como o estudante pode preencher esta lacuna? Especialização acadêmica ainda é um sonho distante, ou já existe alguma iniciativa no Brasil?

Ao contrário de muitos, não vejo o jornalismo online como, por exemplo, uma especialidade do curso de Comunicação, algo que tenha vindo para ficar, como Rádio & TV, Cinema, Jornalismo ou Publicidade. No máximo, vejo, em alguns anos, o JOL sendo absorvido por Jornalismo. Como Pós, o.k., mas aí é outra história, é pesquisa. Não aconselho ninguém a apostar todas as fichas em JOL como ganha-pão. É óbvio que eu gostaria de dizer o contrário. O trabalho que alguns profissionais desenvolvem, como o Marcos Palácios, da Facom da UFBA, é para se acompanhar de joelhos! Mas é pesquisa, área acadêmica, outro barato. A vertente acadêmica é algo muito importante e especial, não é para todos. Como mercado de trabalho, o JOL é muito reduzido. As especializações de mídia digital que vão rechear a conta do chefe de família de amanhã - e fazer com que ele/ela possa sustentá-la - não passam pelo JOL, com raríssimas exceções, como a dos portais, onde não cabe todo mundo. Pé no chão, gente! Os grandes salários em mídia digital estão nas áreas de mobile, em marketing digital das grandes empresas e nas agências de publicidade. 

5) Listas de discussão, sites específicos para jornalistas da web, seminários e debates com profissionais renomados não seriam a nova cara do ensino de JOL no Brasil?

São, em sua nova cara. Por isso estes fóruns estão sendo tão valorizados agora. A cena da mídia digital mudou e o JOL precisa acompanhá-la. Não dá mais para você usar o twitter e achar que por isso você é o máximo, e acreditar que é por aí que se pavimenta uma trajetória profissional. Olhe para o cliente. Veja se ele precisa disso. Veja se você precisa disso tudo. Separe joio do trigo. E, principalmente, tenha senso crítico. Deixar escapar um 'uau...' a cada nova tecnologia de informação que surge, nos torna, comunicólogos da mídia digital, um bando de carneirinhos. Alguém já teve coragem que fazer o caminho oposto, encarar os grandes da tecnologia e reclamar 'ô amigo, meu cliente, meu leitor, precisa é disso, não dessas miudezas, vamos parar de enrolar?' (risos).

6) A internet é um veículo novo se comparado a outros campos de atuação do jornalista como rádio, TV, jornal impresso. Inclusive, muitos profissionais que atuavam
nestes meios foram “sugados” por portais como G1, iG, Terra. Existe o perigo de se misturar as estações e fazer mais do mesmo? O Brasil tem efetivamente jornalismo online?

Há o risco da mistura, sim, mas é natural. Jornalismo é uma coisa só, sim, mas há as diferenças, e já ficou para trás quem acha que elas não são relevantes. O bom profissional de JOL, por exemplo, é aquele que abraça e persegue as mudanças. 

7) Muito se fala da convergência de mídias na internet. A cada dia são criadas novas ferramentas que ajudam na divulgação da notícia. Texto, foto e vídeo nunca
foram tão usados nos jornais online. Mas o jornalista sabe usar de forma satisfatória estes coringas? O conteúdo não acabaria se tornando mais uma opção de como adquirir a informação, e não de quanto se adquire de informação?

Exatamente. A tecnologia é forma, não conteúdo. Muito cuidado. O que permanece sempre, ao longo dos anos, é como a informação é construída. As novas tecnologias são belíssimas e muito úteis embalagens para o conteúdo, mas é ele a grande estrela. 

8) A internet tem contribuído para a rapidez com que o leitor adquire a notícia. Mas conceitos primários como objetividade, precisão e coesão não estariam se perdendo?

Se isso acontece, é culpa do profissional ou do veículo, não da tecnologia ou da mídia. 

9) Qual sua opinião sobre jornalismo colaborativo?
Blogs e câmeras digitais contribuíram para o perfil do internauta, aquele que consome notícia pela web e também quer fazer parte da apuração da notícia? Ou seria mais uma forma de estampar o nome numa página com altos índices de acesso, mal comparando às redes de relacionamento como o Orkut?

Adoro o jornalismo colaborativo. Ele mexe em como se faz o conteúdo, e isso é sensacional. Mas ele ainda está na primeira infância, aprendendo a segurar no cercadinho. Blogs & cia, sim, já estão mudando e vão mudar cada vez mais nosso mercado de trabalho. Mas, mesmo em 2008, não o levemos tão a sério, porque tudo isso corre o risco de virar um assunto risível, motivo de chacota se o colocarmos em um pedestal. Muitas iniciativas de colaboração não deram certo, os blogs começam a sair do período de modismo... Vamos aguardar. *Claro* que tudo isso veio para ficar, mas, por favor, vamos pegar leve... ;-)

10) Bruno, obviamente seu livro 'Webwriting - Pensando o texto para a mídia digital' (2000) contribuiu, e ainda contribui, para a formação da nova geração de jornalistas online. Você consegue distinguir diferenças marcantes entre o profissional de web na época do lançamento para o jornalista de agora?

Bem, primeiramente, naquela época os próprios colegas de profissão ainda questionavam se o texto para a web tinha suas peculiaridades... E eu, baseado em pesquisas, batia o pé e dizia que sim, claro! Daí surgiu o livro, o primeiro em língua portuguesa sobre o assunto. Ao lançar o segundo livro, em 2006, o cenário era bem diferente, assim como o conteúdo do livro, bem mais prático que o anterior. O assunto, então, já era considerado e respeitado há tempos - vide que 'webwriting' é verbete do 'Dicionário de Comunicação' desde 2002!

11) O que seria uma bibliografia ideal para quem busca se aprimorar na área de jornalismo online? (ou seria mais pertinente pedir uma lista de links interessantes?)

Os meus livros, o da Pollyana Ferrari e o da Luciana Moherdaui ainda continuam sendo a santíssima trindade brasileira (risos), mas também recomendo, e muito, 'Manual de Laboratório de Jornalismo na Internet', do Marcos Palacios e da Beatriz Ribas, e outro que saiu no ano passado, 'Os Jornais Podem Desaparecer?', de Philip Meyer.

***********************************************

(do Comunique-se)

Jornalismo online: me engana que eu gosto

Sabe aquela cena absolutamente clichê em cinema, em que algo muito trágico acabou de ocorrer com o personagem principal da história e um amigo próximo ou parente tenta trazê-lo para a realidade, agarrando-o pelos ombros e gritando: ‘você precisa aceitar que isso aconteceu, você precisa!’.

Ontem à noite, ao participar no Rio de Janeiro – com transmissão via webcast para todo o Brasil – como palestrante do Seminário ‘O Mercado e O Ensino do Jornalismo Online’, promovido pelo site ‘Jornalistas da Web’, fiz o papel do que precisa trazer para o mundo real aqueles que querem tapar o sol com a peneira.

Para mim, não é tarefa fácil. Tenho vocação para bonzinho, sou visto como paciente, gosto de ver sempre o bom lado de tudo e quando o assunto é internet, minha tendência é falar e endeusar as vantagens da web. Mas há 1) um limite, 2) o lugar certo e 3) o público certo para minha persona ‘especialista em informação para a mídia digital’ agir.

Frente a frente a um público de jovens adultos, a maioria entre 20 e 30 anos, e também sabendo que estava falando, ainda que a distância, por um imenso público da mesma faixa etária espalhado pelo Brasil e pelo mundo, não era a hora, nem o lugar.

Minha missão, ali, como conhecedor do mercado e quarentão, era alertar o público, chamar atenção para o lado bom e o péssimo de um mercado que funciona igualzinho a qualquer outro, não é privilégio da Comunicação.

Para um auditório calado (e visivelmente incomodado), expliquei que existem dois aspectos no Jornalismo online: as características do trabalho e a situação do mercado. Sobre como o dia-a-dia do jornalista web funciona, vale a pena participar de seminários e listas de discussão, devorar livros sobre o tema e ouvir o que especialistas ao redor do planeta têm a dizer sobre uma área que ainda está em sua infância. Até aí, tudo é lindo, e é parte da rotina de quem deseja ficar em dia com um conhecimento que evolui a cada mês, literalmente.

Se deixar, fica-se congelado a vida inteira neste lado da história. Você faz graduação, mba, mestrado, doutorado e nunca encara o mercado de trabalho. São poucos, em mídia digital, que abraçam a vida acadêmica por vocação. Muitos têm – sinto dizer - é medo, mesmo.

Medo de encarar um mercado que, embora novo, é restrito no mundo inteiro. No Brasil, conta-se nos dedos os noticiosos online que periodicamente criam vagas – vagas, não uma vaga de vez em quando - que consigam absorver as centenas de recém-formados (ou até experientes) que as perseguem todo santo ano.

Além disso, a tendência, de 2006 para cá, é a fusão das redações tradicionais com as online, e neste processo todos são treinados a lidar com ferramentas de multimídia – edição de áudio e vídeo, utilização de publicadores, noções de webwriting, usabilidade e arquitetura da informação, orientação sobre blogs e criação de comunidades, lições de como lidar com o jornalismo participativo e outras ‘cositas más’.

A um público cada vez mais tenso e silencioso, toquei na ferida: dinheiro. Muitos dos que me ouviam serão, daqui a alguns anos, pais e mães de família, terão que pagar a escola do filho, a prestação da casa própria, o plano de saúde. Ninguém vive para sempre na casa dos pais e, para a maioria, morar sozinho é uma fase que dá e passa, naturalmente. E, todos sabem, as redações brasileiras não são exatamente o Eldorado em relação a salários. Fosse a realidade apenas das redações offline (enquanto elas ainda existem à parte), poderíamos ir em frente tranqüilamente, mas o mundo do jornalismo online brazuca paga mal, igualzinho ao que acontece com nossos irmãos mais velhos.

A saída? Perceber que o bom salário está 1) nas grandes agências de publicidade que, de dois anos para cá, incluíram a web como mídia lucrativa e, cada vez mais, contratam jornalistas online 2) na área de mobile, leia-se elaboração de conteúdo para celulares; e 3) na intranets das empresas (falo isso há anos), onde se paga muito bem.

Dei meu recado e passei a bola para o palestrante seguinte, quase podendo ‘tocar’ no silêncio do auditório. Fechei o papo dizendo que ‘passamos muito tempo falando do nosso filho feio e burro, é a hora de colocar na roda o filho bonito e inteligente’.

E lá fomos nós todos, palestrantes e platéia, animadíssimos, falar sobre o fantástico admirável mundo novo do Jornalismo online pelo resto da noite...



----- Evento 'Jornalistas da Web' -----

O Canaval já passou há dias, então é hora de trabalhar, e muito: no dia 28/02 estarei ao lado de Mario Cavalcanti, publisher do site-referência 'Jornalistas da Web' (indicado ao iBest 2008) no primeiro grande evento que o JW irá promover este ano: 'O Mercado e o Ensino de Jornalismo Online', na FACHA, Rio de Janeiro. Como palestrantes, além de mim, gente que tem muito a dizer, como Sabrina Valle, jornalista com seis anos de internet nas organizações Globo e passagem pelo 'Washington Post'. Wow! :-)

A ficha completa está abaixo, em esquema copy-paste do JW para não faltar informação alguma... ;-)

********************************************

Imagem ilustrativa: logotipo do evento JW nas Universidades

As Faculdades Integradas Hélio Alonso e o site Jornalistas da Web convidam para a primeira edição de 2008 do evento JW nas Universidades, sob o tema O Mercado e o Ensino de Jornalismo Online, onde profissionais do meio online falarão sobre o cotidiano das redações online e o preparo de futuros jornalistas para este meio.

As palestras circularão temas como assessorias de imprensa online; dia-a-dia de um portal de Internet; mercado de trabalho no meio online; como as faculdades estão se preparando para lidar com disciplinas ligadas às novas mídias; e passos que o aluno pode seguir se tiver interesse em trabalhar no meio online.

Data: 28 de fevereiro de 2008
Horário: 19h às 22h
Local: Auditório do Campus II da FACHA
Endereço: Rua da Matriz, 49 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ
ENTRADA FRANCA

Imagem ilustrativa: cartaz do evento JW nas Universidades

Palestrantes

Bruno Rodrigues
Consultor em Informação e Comunicação Digital e autor do livro 'Webwriting - Redação & Informação para a Web'.

Maracy Guimarães
Jornalista especializada em comunicação comunitária e professora da FACHA.

Renata Castro
Assessora de imprensa da Shell e ex-editora de conteúdo do portal iG.

Sabrina Valle
Jornalista com seis anos de Internet nas organizações O Globo e passagem pelo Washington Post (impresso e online).

Coordenadores

Bruno Rodrigues
Consultor em Informação e Comunicação Digital e autor do livro ´Webwriting - Redação & Informação para a Web'.

Mario Lima Cavalcanti
Jornalista, diretor executivo do site Jornalistas da Web e pesquisador de mídias digitais.

Mais informações

Coordenação de Extensão da FACHA
Tel.: 21 2102-3200
ou pelo e-mail: info@jornalistasdaweb.com.br   



Escrito por Bruno Rodrigues às 16h13
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Boas dicas -----

Para você, duas boas dicas de cursos:

- Quem quiser ficar por dentro dos segredos da redação online e da distribuição da informação na mídia digital, é só entrar em contato pelo e-mail extensao@facha.edu.br ou ligar para 0xx 21 2102-3200 (ramal 4) para obter mais informações sobre meu curso 'Webwriting & Arquitetura da Informação'. As aulas da próxima turma, que terá início em 12/02, serão ministradas no Rio de Janeiro, ao longo de seis terças-feiras à noite, em Botafogo.

- Estão abertas as inscrições para a segunda turma da Pós-Graduação em Gestão em Marketing Digital da FACHA, no Rio de Janeiro, da qual sou Coordenador. Com 16 disciplinas, entre elas E-commerce, Gestão de Contas, Gestão de Conteúdo, Gestão do Conhecimento, Inteligência de Mercado, Marketing de Relacionamento Online e Otimização em Mecanismos de Busca, o objetivo do curso é preparar profissionais capazes de tomar decisões no campo do marketing para a mídia digital e atualizar os que já estão no mercado. Para mais informações, posholos@facha.edu.br.



Escrito por Bruno Rodrigues às 11h50
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- As bibliotecas não morreram -----

Nunca fui um aficionado por bibliotecas - o que não as torna menos importantes em minha vida. Lembro-me bem, aos seis anos, entrando pela primeira vez na biblioteca do meu colégio, o Marista de Brasília. Não procurava livro específico algum; simplesmente estava curioso em conhecê-la. Lá dentro o que mais me chamou a atenção foi uma coleção de maquetes sobre a pré-história, e já saí feliz só por isso.

No início a adolescência, na primeira semana de estudos de inglês do Ibeu, já no Rio, não havia como não notar a biblioteca: ela era a primeira coisa que se via, ao entrar. Toda envidraçada, era um convite à curiosidade. O que mais me chamou a atenção, desde o início, foi a coleção de revistas 'Time' que fazia parte do acervo. No final dos anos 70, ler uma revista estrangeira toda semana era - uau! – um privilégio para qualquer um, ainda mais para um jovem estudante de inglês.

Fato é que, como dizem por aí, uma coisa puxa a outra. Afinal, é de se esperar que uma biblioteca atraia visitantes por conta de maquetes ou revistas estrangeiras? Aparentemente, não. Mas não teria sido essa a intenção das equipes de ambas as bibliotecas, ao criar 'iscas' para atrair alunos, futuros leitores? Esta semana, eu tive certeza que sim.

Segundo um dos institutos de pesquisa mais atuantes em comportamento web, o Pew Internet & American Life Project, os jovens americanos, a tal 'Geração Y', têm freqüentado cada vez mais as bibliotecas. O motivo? Em princípio, os livros, mas, tal qual acontecia comigo no Marista de Brasília ou no Ibeu, o que tem levado público a visitá-las é uma boa isca, desta vez a internet.

Como assim? Não há segredo. Para começar, já são muitas as bibliotecas americanas - assim como as brasileiras, e tantas outras - que colocam à disposição na web a lista de seu acervo, o que facilita tremendamente; se você tem certeza de que há o livro que procura em uma biblioteca, é meio caminho andado, não há risco de viagem perdida. Além disso, hoje as bibliotecas estão repletas de computadores com acesso à Rede - e, segundo o instituto Pew, este é o aspecto mais interessante da recente pesquisa.

O cenário que está fazendo toda a diferença é o seguinte: o adolescente chega a uma biblioteca, procura por um livro de Ray Bradbury, 'Fahrenheit 451', por exemplo. Ele começa a folhear o livro, adora, mas quer saber mais sobre o autor. Que tal a web? Sem sair da biblioteca, ele dá um pulinho no computador e fica sabendo mais - senão tudo - sobre o autor, e fica interessadíssimo, também, por exemplo, em 'Frutos Dourados do Sol', obra-prima menos conhecida de Bradbury. Touché: como ele está em uma biblioteca, é só pedir o livro. Feliz da vida, o jovem leva para casa ou lê ali mesmo ambas as obras, e o que um dia era desconhecimento vira um horizonte cheio de possibilidades - a grande magia do livro, afinal.

Como dá para notar, ainda há muito por vir, e muita coisa a descobrir. O mais fascinante, contudo, é observar que finalmente chegou o tempo em que a tecnologia da informação, mais especificamente a internet, é vista com naturalidade, sem provocar medo ou rejeição.

Por isso, torço para que pesquisas como a da Pew sejam feitas cada vez mais, e sempre. Lá se vão mais de dez anos de internet, e já amadurecemos bastante - mas é preciso que isso seja dito aos quatro ventos. Que 2008 seja o início desta nova etapa, então!



Escrito por Bruno Rodrigues às 15h34
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Novidades e Férias -----

Nunca tinha tirado férias em dezembro, mas desconfiava que seria muito bom - e é uma maravilha, mesmo. Mais que recomendo! A foto aí de cima, minha e do Breno, foi tirada pela Ana, após uma manhã inteira de piscina no Fluminense... Ê, vidinha boa! ;-)   

Como não podia deixar de ser, continuo trabalhando. A segunda turma da Pós-Graduação em Gestão em Marketing Digital da Holos/FACHA, da qual sou Coordenador, já está com as matrículas abertas e eu estou em ritmo de análise de currículos, feedbacks e tudo o mais que é necessário para o bom andamento do curso. Isso, sem falar na primeira turma, que já vai para a sexta disciplina, e continua de vento em popa!

Ah: e ontem entreguei para a iMasters, da revista e site homônimos, minha crônica para o livro a ser publicado em janeiro, 'Internet - O Encontro de 2 Mundos', resultado do evento InterCom 2007. A obra reunirá textos com temas como convergência, integração de mídia, novo mercado, tendências, evolução da internet, entre outros, e serão escritas por quem participou do evento como palestrante, debatedor, apresentador e também por profissionais convidados, como eu. Agradeço ao Tiago Baeta pelo convite!

Pensa que acabou? Em 12 de fevereiro eu reinicio meus cursos de Webwriting e Arquitetura da Informação - que já somam 1.400 alunos pelo Brasil inteiro - aqui no Rio; serão aulas semanais, sempre à noite. Para mais informações, é só enviar um email para extensao@facha.edu.br, O.K.?

Em tempo: o 'Cebol@' passará por amplas reformas no primeiro trimestre de 2008... Aguarde! :-)      



Escrito por Bruno Rodrigues às 17h11
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Pai e filho em ação -----

 

'O Globo', 02/12/07 ;-)

 

Semana da Usabilidade, UERJ, 09/11/07. 



Escrito por Bruno Rodrigues às 10h48
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Você viveu os anos 80? -----

 (do 'Comunique-se', 16/11)

Ah, o tempo... Está em cartaz, desde o início deste mês, "Podecrer!", filme de Arthur Fontes sobre os jovens dos anos 80. Meus cabelos brancos (tá bem, nem são tantos assim) não me deixam mentir: a fita foi feita sob medida para a minha geração, para quem o futuro que hoje vivemos era coisa dos Jetsons, apenas.

Ninguém é o retrato fiel da sua geração – a minha, no caso, era chamada de Geração Coca-Cola. Mas, aqui e ali, eu consigo me ver na história. Assisti ‘E.T.’ na estréia, sentado no chão de uma cinema lotado; a paixão pelos filmes do ainda-não-tão-famoso Steven Spielberg era tanta que eu
tinha – e ainda tenho – uma camiseta com os dizeres ‘Spielberg Forever’ que irritava, e muito, meu professor de cinema na PUC, defensor ferrenho do cinema nacional.

Eu era fã das novelas de Gilberto Braga, em tempo de ‘Vale Tudo’, a melhor de todas. Meu trabalho de final de curso foi sobre a obra do novelista, e ainda tive que escutar dele, ao final de uma das últimas entrevistas que fiz, o comentário para lá de emblemático, que me corrói até hoje: ‘Vou agora
escrever o capítulo em que revelo quem matou Odete Roitman...’. Mais anos 80, impossível!

Se há uma diferença entre aquela época e a que vivemos, é a tecnologia. Na infância e na adolescência, minha geração viu a tevê a cores, o telefone sem fio e o videocassete surgirem – mas pára por aí. O computador só faria parte do nosso dia-a-dia na época do estágio, lá pelo final da década.

Desde então, o mundo viu-se invadido pelo high-tech: primeiro, veio o CD, que jogou a fita cassete e o vinil para escanteio; logo após, chegou o celular e ficou mais fácil ser achado a qualquer hora, em qualquer lugar (é bom, isso?); e, então, finalmente, surgiu a web...

É na autopromoção que ‘Podecrer!’ faz ponte entre passado e presente, entre a Geração Coca-Cola e a Geração Y, a de agora. Na internet, o usuário encontra o completíssimo site do filme e vídeos, muitos vídeos – e não estou falando de trechos da fita ou de trailers, apenas. A produção do
‘Podecrer!’ contratou a Espalhe, agência de marketing de guerrilha, para criar pequenos vídeos de ficção, executados pela Conspiração Filmes e descolados da trama do filme, em que três jovens batem papo, contam casos, choram a perda da Copa de 82, comentam filmes da época áurea da ‘Sessão da Tarde’ (Jerry Lewis diz alguma coisa para você?) e, é claro, falam muita besteira. Uma delícia, portanto.

Os vídeos, no melhor estilo ‘marketing viral’, foram primeiramente plantados em sites como Youtube, Videolog.TV e Fiz TV, para depois invadirem a Rede. A idéia era que todos achassem que eram vídeos de verdade, filmados em VHS e descobertos por ‘arqueólogos digitais’. Como dois dos adolescentes são ‘globais’ – um deles está, inclusive, no ar em ‘Toma lá, dá cá’ – fica difícil acreditar, mas o que vale é a (ótima) intenção.

Como, desde sempre, fiz do século XXI a minha opção de vida – aos 16 anos eu era obcecado pelo Epcot Center, o parque futurista da Disney, acompanhei pela tevê cada minuto do lançamento do ônibus espacial Columbia, e em meu teste vocacional deu Informática e Comunicação (como lidar com isso, na época?) – não deu para ficar saudosista com o filme, que é divertido do início ao fim. Mas deu para lembrar direitinho de uma época em que o máximo em tecnologia em brinquedos era o ‘Genius’, e a mochila da Company era sonho de consumo de 10 entre 10 adolescentes.

E você, é mais século XX ou XXI, mais ‘Genius’ ou mais ‘Palm’?



Escrito por Bruno Rodrigues às 16h19
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Quem é o dono de uma lista de discussão? -----

(do 'Comunique-se', 09/11)

Não há nada como ficar órfão de uma lista. É como se tivessem arrancado nossas cordas vocais, via teclado. Nestes momentos, só nos resta o silêncio e a mais profunda solidão.

É raro que eu me sinta assim. Aliás, embora eu goste – e muito - de participar das discussões, é raro eu ter tempo. Mas sou minoria – multidões participam constantemente de milhares de listas de discussão espalhadas pela web brasileira, e para estes é o fim do mundo quando uma lista chega ao fim.

Há dois motivos quando isso acontece: falta de quorum participante e stress crônico a que o moderador é submetido. A questão do quorum é a mais comum; após algum tempo patinando em inscrições, a lista morre por falta de sentido. Ninguém discute, então é melhor desmontar a barraca. Isso acontece muito no Yahoo, a meca das listas de discussão.

Embora sejam a minoria, as listas que entram em erupção antes de implodir são as que mais causam barulho quando terminam e deixam traumas na alma virtual de muitos internautas. Eu mesmo participei de uma destas listas ao longo de três anos.

O tema girava em torno de histórias em quadrinhos clássicas Disney, escritas e desenhadas nos anos 40, 50 e 60 por mestres como Carl Barks, Paul Murry e Floyd Gottfredson. Composta em sua grande maioria por quarentões como eu, a lista ia muito bem, obrigado, até alguns dos participantes começarem a se alterar.

O pomo da discórdia era a atenção cada vez menor que editora Abril estaria dando aos quadrinhos Disney no Brasil. Corre a lenda que a Abril só não se desfaz da representação das hqs Disney no país por razão sentimental – afinal, a primeiríssima publicação da editora foi ‘O Pato Donald’, em 1950.

O ‘x’ da questão, delicadíssimo, era que da lista participavam dois jornalistas da própria Abril, em trabalho espontâneo de Ouvidoria, que cansei de elogiar diversas vezes. Criticar a Abril sempre foi permitido na lista – liberdade de expressão -, mas, você há de convir, iniciar uma campanha para a Abril abrir mão dos títulos Disney aos olhos de profissionais da casa, cheios de boa-vontade, é um pouco demais – e foi. Cansado de alertar que aquele não era bem o lugar para tais manifestações, o criador e moderador da lista - que não era da Abril, vale esclarecer – acabou com a festa.

Pode, isso? Após tanto tempo, a lista era só dele? Ele teria o direito de fazer o que fez, acabar com um fórum de discussão com tantos participantes?

Para muitos, foi uma atitude autoritária, o cúmulo do absurdo. Hoje alguns acham que as regras deveriam mudar. Uma lista só poderia ser fechada pelo ‘dono’ após votação, em que a maioria concordasse em desligar o interruptor.

Mais uma: na semana passada, foi a vez de chegar ao fim, também via erupção & implosão, uma lista que há três anos ajudava o profissional de Jornalismo brasileiro a encontrar seu primeiro emprego, conseguir algo melhor na área ou se recolocar no mercado, graças à boa-vontade de coleguinhas, que postavam vagas quase diariamente. Houvesse um Panteão do Jornalismo, a criadora da lista lá estaria.

Cansada de ter que deletar, constantemente, tanta besteira travestida de mensagem, a criadora-moderadora da lista decidiu a exigir ID e CPF dos participantes, inclusive dos já cadastrados. Aí, o feitiço virou contra o feiticeiro: peraí, como assim o participante teria que se identificar? E por que, caso se negasse a fazê-lo, seria posto para fora? Criticada por uma multidão indignada, a moderadora chutou o pau da barraca.

Pode, isso? Alguém cobrar tanto de seus participantes? E, mais uma vez, ela teria o direito de fazer o que fez, acabar com serviço tão precioso?

Para mim, é uma questão ainda em aberto. Sou convidado de uma lista, ou tenho direito sobre ela? Não sei.

E você, acha que criar uma lista de discussão é plantar vento e colher tempestade? Ou quem deu sangue, suor, lágrimas e tanto carinho pelo que criou, tem o direito de encerrar a conversa para acabar com próprio stress?

Escrito por Bruno Rodrigues às 16h18
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Os grandes querem conversar com você -----

(do 'Comunique-se', 01/11)

O bom-senso adverte: onde termina o limite de um, começa o do outro. A idéia vale para o convívio familiar, social e profissional. Mas, e para o virtual, existe um consenso?

Há pouco mais de uma semana, sem muito estardalhaço, grandes grupos de mídia e internet dos EUA reuniram-se para divulgar uma lista de ‘princípios colaborativos’ que darão suporte e apoiarão a crescente produção de conteúdo gerado pelo usuário para a web, o chamado UGC (user generated content). Esta visão, é claro, é a de quem manda, e não a de quem cria, disponibiliza e oferece conteúdo na Rede.

Algum problema? Em um primeiro momento, nenhum. De acordo com o seleto grupo, que inclui pesos-pesados como Disney, Fox, CBS, Microsoft, Viacom e MySpace, a idéia é garantir o direito autoral de quem produz conteúdo para a internet: eu, você - e eles, é óbvio.

O pulo do gato da iniciativa são os programas que funcionam como filtro - se um adolescente produz um vídeo e sobe o material para o MySpace, no problem! Ele preparou o material, que é dele, e ponto final! Os ‘princípios colaborativos’ protegerão o copyright do rapaz, que já não se sentirá tão ‘vulnerável’.

Que esse mesmo adolescente tente, porém, subir para o MySpace um trailer inédito de um filme há muito aguardado, que ele conseguiu sabe-se lá onde. A Fox, que antes tinha um trabalho chatíssimo do ponto de vista de relações públicas – o envio de um aviso extra-judicial pedindo a retirada do material -, agora poderá encostar na cadeira e relaxar: os ‘filtros de conteúdo’ irão detectar, assim que o trailer tiver sido cadastrado para veiculação no MySpace, que o conteúdo é pirata. E, então, sem drama, o vídeo simplesmente não entra no site. Sem trabalho para a área jurídica, sem confusão com a opinião pública, tudinho automático.

O grupo que criou as regras faz questão de dizer que não está pensando apenas no seu lado, mas no do usuário, principalmente. Segundo Disney e cia., além do internauta ter agora um ‘norte’ para se guiar quando for disponibilizar material em um dos sites das empresas signatárias dos ‘princípios’, ele terá a seu dispor recursos tecnológicos muito úteis, mas que não existiam, ou não eram o foco de sites que aceitam conteúdo gerado pelo usuário.

Se antes era problema do internauta procurar ferramentas para construir e colocar no ar um material, agora ele terá o apoio e a orientação do site. Entre várias gentilezas, estaria o upgrade constante das ferramentas de publicação e a rápida solução de erros quando, por exemplo, um conteúdo apontado como pirata for, na verdade, legítimo, mas estiver
sendo bloqueado.

O principal foco da empresas é estimular – e regular – a produção de vídeos, a maravilha das maravilhas da era Web 2.0, mas dor de cabeça constante de redes de TV, estúdios de cinema e gravadoras, sempre às voltas com pirataria.

Em tese, o discurso do grupo é ‘vamos colaborar, estreitar laços’. Mas, como eu já disse, eles é que mandam, então é bom ficar de olho. Ainda assim, por mais que eu tenha tentado – e juro que me esforcei -, não consigo notar intenção ruim na iniciativa. Só a junção de megaempresas assumindo que a era do UGC chegou para ficar, e que deste tipo de conteúdo depende boa parte do futuro da Comunicação, já é um passo considerável.

Falta, agora, a adesão de outros players fundamentais, como o Google e seu agregado YouTube, mas tudo leva a crer que é apenas um questão de formalização, já que no site de vídeos mais procurado do mundo os filtros de conteúdo já começam a operar mudanças.

Sinto falta, apenas, do Brasil, sempre tão up-to-date com a web, divulgar o que está fazendo neste sentido. UOL, Terra, iG e Globo.com, pronunciem-se!

E você, vê a criação de ‘princípios’ para o conteúdo gerado pelo usuário como colaboração ou censura velada?

Escrito por Bruno Rodrigues às 16h16
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- A música é para todos - será? -----

(do 'Comunique-se', 18/10)

Nunca um clichê esteve tão perto de virar uma questão para lá de delicada: ‘a música une os povos’. Bonito, desde que a música pertença a todos.

Que fique claro: até o surgimento da web – ou seja, ontem mesmo - a música era de quem a compunha, criava a letra, interpretava e distribuía. O consumidor pagava pelo LP ou fita cassete, depois CD, e todos eram felizes.

Todos, menos o consumidor, é claro, pois doía era no bolso de quem despendia muito do rico dinheirinho para ter as músicas de que se gostava. A gravadora, que tinha mais condições de pagar, era quem mais continuava a encher os bolsos. Capitalismo puro.

Errado? Na prática, óbvio que não. Se compositor e cantor suam tremendamente para criar uma obra, nada mais certo que receber por ela. Mas, e a gravadora?

Com a web, onde o meio físico é dispensável, as gravadoras serviriam apenas como ‘ruído’. Se não há necessidade de distribuição e a divulgação também poderia ser feita pelos próprios artistas, por que dividir o lucro por três?

Quando muitos esquentavam os motores para este novo modelo de negócios, surgiram os programinhas ‘peer to peer’, softwares que permitem aos usuários trocar arquivos. Entre tantos, o que mais fez sucesso neste ‘troca-troca’ virtual, desde o início, foi a música.

Nem é preciso dizer que todos perderam o chão, músicos e gravadoras. Agora, infolarápios ‘pirateavam’ a música, colocada na Rede por um único consumidor, multiplicando-a por mil por usuários que a copiavam gratuitamente.

Como fazer? Prender uma multidão espalhada por centenas de países, gente comum? Há dois anos, a França tentou dar o exemplo. Escolheram aleatoriamente um endereço IP de um usuário que trocava arquivos via web e prenderam o larápio – um senhor aposentado! Vitória e vexame. Este mês, mais uma tentativa, desta vez nos EUA: agora é uma mãe solteira que terá que pagar uma multa de quase 400 mil reais. Faz sentido?

É errado, e as regras do Direito Autoral estão aí para esclarecer a questão – nem é preciso chegar ao Direito Digital. Mas, acima de artistas, gravadoras e a mídia, paira a pergunta: é crime coletivo ou um novo paradigma? Se isso acontece em grande escala, e não nos ‘becos’ da web, algo novo está realmente acontecendo, ou seria o fim dos tempos?

Esta semana, a cantora Madonna – sempre ela – saiu na frente ao deixar a Warner, sua gravadora há mais de dez anos, pela empresa LiveNation, focada em promoção de shows, onde será a primeira do cast da Artist Nation – ah, sim, ela também é gravadora, mas este é apenas um detalhe.

O que Madonna fez foi assumir, como artista e empresária – ela será sócia da LiveNation, também – que é realmente o fim dos tempos (para as gravadoras) e que algo novo está realmente acontecendo (para os artistas). Em suma, que os
cantores e compositores esqueçam lucrar com suas músicas.
Elas serão ‘apenas’ commodities, e por isso funcionarão como plataforma para ganhar dinheiro onde ele está: nos shows. "O paradigma do negócio da música mudou e como artista e empresária eu tenho que acompanhar essa mudança", disse Madonna.

Fato é que, cada vez mais, acredito na idéia de que, em nenhum outro ambiente, a democracia teve tanto poder quanto na internet. Se o usuário quer, tudo muda - e é bom sair da frente!

A web é, antes de tudo, divulgação, e é preciso absorver esta idéia de vez. Alguns músicos já entenderam o recado, e estão se beneficiando disso – e olhe que eles não vêm só do mainstream pop, mas até do menos provável dos nichos: a música clássica.

A revista ‘New Yorker’ publicou na semana passada ‘The Well-tempered Web’, deliciosa matéria em que explica como compositores centenários e artistas novos do mundo inteiro estão sendo divulgados como nunca antes.

A ‘New Yorker’ destaca que, na web, pode-se, como em outros gêneros, ouvir extratos de músicas como couvert – ótimo para um primeiro contato com a música clássica -, conhecer Beethoven via Wilhelm Furtwängler – ‘sem o risco de errar a pronúncia’ – ou assistir ao vivo noites de abertura de festivais como o alemão Bayreuth. É sopa no mel, a mídia que muitos pediram a Deus.

Será, mesmo? E você, acha que a internet, para a música, é ‘coisa do demo’ ou a recriação do Jardim das Delícias?

Escrito por Bruno Rodrigues às 16h15
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Quem é escritor, afinal? -----

(do 'Comunique-se', 04/10)

Alterar paradigmas é uma pedreira; leva tempo e consome paciência. Coloque a internet – ou até mesmo a televisão - na rota desta missão (quase) impossível e voilà: está armada a confusão. Mais que uma pedreira, é uma cordilheira inteira a enfrentar.

Um exemplo? Diga a um grupo de escritores que autores de livros publicados na web são – errr - escritores. E que tal afirmar que um autor de novelas também é escritor? Corre-se o risco de perder a vida!

Há gente corajosa, contudo. Heróis que enfrentam o bolor do antigo para, de forma afável ou até nada sutil, esvaziar a oposição em poucos segundos.

Trago dois exemplos que prometem mudar nossa forma de encarar o escritor:

* A crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda foi curadora da mostra ‘Blooks: Tribos e Redes na Rede’, que aconteceu com sucesso até semana passada no Rio de Janeiro. Os tais dos ‘blooks’ - books + blogs - são, como diz o nome, livros com conjuntos de posts (textos) publicados em blogs, ou que deles surgiram.

Em entrevista ao UOL, Heloisa defende que há talento e genialidade de sobra na web: " (...) existe uma enorme produção literária na Rede, que usa o recurso interativo do blog e o ambiente descentralizado da internet para desenvolver a criação literária". E completa: "qualquer pessoa pode se tornar autor".

Já ouço os gritos de "herege!". Tem coragem, a Heloisa.

* Aguinaldo Silva, autor de ‘Duas Caras’, nova novela da Globo, agora integra o cast do ‘BlogLog’, portal de diários online lançado há pouco pelo Boni. No primeiro post o novelista desabafou que, convidado a participar de um debate na Bienal do Livro do Rio, cujo tema seria ‘autor de novelas é escritor?’, não apareceu intencionalmente.

Para o autor – ou seria escritor? - a discussão já perdeu o prazo de validade; para ele é óbvio que quem escreve folhetins para a tevê é escritor.

Tem coragem, o moço. Ser blogueiro e autor de novelas é como colocar-se na rota de tiro duas vezes. Já ouço os gritos de “herege”, agora com a potência sonora de um bom home theater.

Para encerrar, cito não um exemplo, mas uma atitude também corajosa e que promete mudar - e muito - a maneira de avaliarmos uma obra literária. Mais uma vez, a mudança passa pela internet:

* A Amazon.com acaba de criar o ‘Amazon Breakthrough Novel Award’ em conjunto com o grupo editorial Penguin e a empresa de tecnologia Hewlett Packard. Em um processo seletivo para lá de inovador, a livraria virtual irá contar, na etapa inicial, com a crítica dos próprios usuários do site para avaliar obras inéditas, em inglês, enviadas por autores de vinte países. O felizardo que chegar à fase final levará para casa um contrato com a Penguin e US$ 25,000 de adiantamento.

Têm coragem, Penguin e Amazon. Achar que o leitor tem capacidade de avaliar manuscritos é colocar em xeque o olhar clínico do editor experiente. Afinal, quem dá as cartas neste jogo, quem lê ou quem publica?

Fato é que todas estas questões causam estranheza e incômodo. Leitor é editor? Livro online é livro, mesmo? Escritor de tevê é escritor?

Respire fundo: é preciso que todos nós tenhamos coragem, pois a mudança está apenas começando...

Escrito por Bruno Rodrigues às 16h14
[   ] [ envie esta mensagem ]




----- Na web, intimidade é coletivo -----

(do 'Comunique-se', 14/09)

Não chegue muito perto. Sou e sempre serei reservado. Pode conversar comigo sobre o que quiser, mas há um limite. Não sou uma cerca de arame farpado, mas tenho uma porta da qual ninguém tem a chave. O que há a esconder? Minha intimidade.

Atitude antipática, não é? Mas um dia não foi assim. Até dez, quinze anos atrás, era educado e até charmoso ser reservado. Desde então, não há mais o mínimo sentido. Sei quando minhas colegas estão de TPM porque as mulheres agora bradam aos quatro ventos, para quem quiser ouvir, sua intimidade. Ainda fico enrubescido; é uma espécie de résistence, ainda que solitária. Hoje em dia, marido e mulher que gostam de ficar sozinhos é ultrapassado, quase proibitivo. “Como assim? Vocês não gostam de fazer ‘social’?”, perguntam sempre a mim e à minha esposa. Fazer um ‘programa casalzinho’? É contramão.

Calcada no coletivo, a web só veio ampliar a idéia de que intimidade é algo seu - mas apenas por um instante, já que ela existe, mesmo, é para ser mostrada aos outros. É quase um erro de percurso: temperamento, opiniões, gostos, manias, tudo isso deveria surgir primeiro no perfil do Orkut para aí, sim, você ser avisado via e-mail. Com a bênção das ‘redes sociais’, tudo seria permitido.

Porém, quando a falta de intimidade adentra o reino das leis e do dinheiro, o que vale mesmo são as regras de educação que vovó tanto apregoava. A sociedade dá corda, mas a tesoura entre em ação quando o buraco é mais embaixo.

Vanessa Hudgens, a estrelinha adolescente do musical para tevê ‘High School Musical’, é um bom exemplo. A todos interessava que a moça, para divulgar sua imagem, agendasse entrevistas com dezenas de revistas, sites e blogs para contar o que gosta de comer e ler, qual a cor preferida, até com que roupa dorme. Mas a Disney, produtora do filme e que acaba de lançar a continuação nos EUA, subiu nas tamancas quando vieram com a notícia de que circulava na internet (arrá!) uma foto da atriz, outrora símbolo de pureza e boas-intenções... nuinha em pêlo! Pior: a foto fora tirada para o namorado, o ator Zac Efron, par romântico também na telinha. Tá bom pra você? O que começou como estratégia de marketing virou absurdo, e por pouco Vanessa não foi substituída na terceira parte da série, a ser filmada brevemente.

Quer outro exemplo de ‘esquizofrenia da intimidade’? A rede social (e virtual) americana Facebook, com quase 40 milhões de usuários, mudou a política de privacidade. Antes, ao realizar uma busca, o Google não conseguia ler os perfis dos inscritos, o site era bloqueado aos mecanismos de busca; agora, ainda há esta opção, mas não é mais a regra – a porta está aberta para quem quiser espiar. A questão, para mim, é por que os usuários estão chiando tanto. Até onde eu sei, o espírito de qualquer rede social é ‘ampliar a rede de contatos e fazer amigos’. O que aconteceu? Os usuários da Facebook querem circular de saia no joelho e gola até o pescoço em praia de nudismo? Haja contradição.

Talvez a crise de intimidade seja moda, mas ela continua a mostrar seus sintomas na web. A revista semanal suíça ‘L’Hebdo’, por exemplo, na última eleição para o parlamento enviou seus repórteres para viverem (mesmo) com os candidatos, vários deles. Era dormir & acordar. Tudo foi registrado no site/blog ‘Blog & Breakfast’, de sucesso instantâneo. Tanto que, na próxima eleição, em outubro, também será usado este ‘método’.

É assim, mesmo? Para conhecer o que um candidato pensa, se ele merece meu voto, é preciso *morar* com ele, radiografar até a sua alma? É a intimidade que está chegando ao fim, ou somos nós (isso inclui até os políticos) que estamos assustados com tanta exposição, nos escondendo a ponto de precisarem criar um ‘Big Brother’ político para descobrir quem colocar no poder?

Não acho que a intimidade se perdeu totalmente. Vejo, sim, que estamos bem perto de criar uma ‘falsa intimidade’, outra persona para sobreviver a tanta invasão - seja real, virtual, pública ou privada.

Alguns já aprenderam a lição, e mostram apenas o que os outros querem ver, mas se trancam a sete chaves quando o que está em jogo é sua verdade mais íntima. Como Renan Calheiros fez no Senado.

Eu avisei que a questão era esquizofrênica...

Escrito por Bruno Rodrigues às 16h13
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 



Bruno Rodrigues é:
*autor do livro "Webwriting - Redação & Informação para a Web" *consultor em informação para a mídia digital do website Petrobras *instrutor de Webwriting e Arquitetura da Informação
Você também me encontra em:
  'Webinsider'
  'Comunique-se'
  Revista 'WebDesign' - nas bancas
  'Jornalistas da Web'
Histórico
  Ver mensagens anteriores